Bossa Nova Hoje e Sempre: projeto quer mostrar que gênero musical está mais vivo do que nunca
Quando nesta quinta (9), por volta das 20h, a Orquestra Sinfônica Villa-Lobos iniciar seu concerto no Teatro Riachuelo, no Centro do Rio, será dada a partida numa jornada que pretende rever a bossa nova e, também, mapear o seu futuro. Bossa Nova Hoje e Sempre é um projeto com várias frentes que se estenderá até 2027.
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Na apresentação desta noite, a orquestra regida pelo maestro Adriano Machado receberá Roberto Menescal, Wanda Sá, Alaíde Costa e Theo Bial. Ou seja, três figuras que fazem parte da história do estilo e um jovem de 28 anos que tem cantado esse repertório. Eles dividirão o palco de várias formas e cantarão juntos, pelo menos, “Chega de saudade” e “Só danço samba”, ambas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.
O projeto não nasceu da cabeça de artistas, mas de empresários. Marilene Gondim, da MRG, e Branco Gualberto, da Tacatinta, procuraram Luís Calainho, da Musickeria, pensando numa grande exposição. Ela acontecerá, mas no próximo ano. O trio, com a participação também da Stanley Projetos, decidiu abordar o assunto em diversos formatos até 2027 chegar.
Calainho acredita que a bossa ainda não tem no Brasil o reconhecimento devido.
— Sempre imaginei criar algo que ajudasse a levar a bossa nova ao lugar que ela merece — afirma. — Mais do que um gênero, a bossa nova é um jeito de ser, um estilo de viver.
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Nesta quinta, além do concerto, começa a vir a público a série de videocasts apresentados pelo jornalista e escritor Ruy Castro, autor do livro “Chega de saudade”, e pela cantora e compositora Dora Vergueiro. O cenário é sempre o Bottle’s Bar, no Beco das Garrafas, em Copacabana. Aparece, nesta quinta, no YouTube a entrevista deles com Leila Pinheiro. Ruy credita ao disco “Bênção, bossa nova”, lançado por Leila em 1989, a revitalização da bossa num período em que era dada como morta.
Os outros personagens da série são Menescal, Wanda, Joyce Moreno, Claudette Soares, Antonio Adolfo com sua filha Carol Saboya, Armando Pittigliani e Maria Lúcia Rangel. As entrevistas poderão ser acessadas também pelo portal Bossa Nova Hoje e Sempre, que deve entrar no ar até o fim do mês.
Com curadoria do jornalista Sergio Martins, o portal promete reunir discografias, perfis e um grande acervo de informações sobre o estilo. Os perfis têm assinatura de Bruna Ramos da Fonte. Martins é autor de um artigo sobre a importância da bossa nova e encomendou dez textos a jornalistas e estudiosos da música brasileira.
— A ideia é ir além do panorama histórico: estender para outros gêneros e níveis de discussão, analisar o que a bossa representa para além do trivial — explica Martins, que considera totalmente equivocados os que pensam que a bossa envelheceu. — Ela está mais presente na nossa vida musical do que a gente imagina. Está em todas as vertentes musicais, vai muito além de “Garota de Ipanema” e “Chega de saudade”.
Os temas se dividiram entre Carlos Albuquerque, Chris Fuscaldo, Danilo Casaletti, Denilson Monteiro, Hugo Sukman, Jin Nakaraha, João Marcello Bôscoli, Manoel Filho, Patrícia Palumbo e Pedro Só.
Mostra à vista
Em duas noites no Blue Note do Rio e outras duas no Blue Note de São Paulo, Calainho e Menescal entrevistarão novos artistas ligados à bossa nova. Estes e outros deverão estar num álbum previsto para sair até o fim do ano.
— O desejo é olhar adiante, porque a bossa nova está mais viva do que nunca — reforça Calainho.
Para a exposição intitulada “Bossa nova chega de saudade”, o curador anunciado é Nelson Motta e o diretor de arte é Batman Zavareze. Os quatro pilares serão João Gilberto, Tom Jobim, Vinicius de Moraes e Nara Leão. Segundo a produção, os herdeiros autorizaram o uso dos acervos deles. A previsão é que a mostra fique no Rio no primeiro semestre e em São Paulo no segundo. Os lugares ainda não foram definidos.
