A Polícia Civil de Santa Catarina confirmou, nesta sexta-feira, a maior apreensão de cocaína da história do estado. Ao todo, 4,426 toneladas da droga foram encontradas em um galpão em Balneário Piçarras, no litoral catarinense.
Seis homens naturais do Reino Unido foram presos em flagrante por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Segundo os investigadores, a carga foi avaliada em aproximadamente R$ 486 milhões, considerando o preço de comercialização da cocaína no mercado britânico.
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Em coletiva de imprensa, as autoridades detalharam como chegaram ao galpão após semanas de monitoramento de movimentações consideradas suspeitas. A investigação começou com a observação de uma van branca que permanecia estacionada em uma área isolada durante a noite e circulava ao longo do dia.
A partir dela, os policiais identificaram veículos alugados, acompanharam os deslocamentos dos suspeitos e descobriram o local onde a droga estava armazenada. O delegado-geral da Polícia Civil de Santa Catarina, Marcelo Sampaio Nogueira, afirmou que a operação foi resultado de aproximadamente um mês de investigação da Delegacia de Combate a Drogas de Itajaí.
Segundo ele, a quantidade apreendida pode representar também a maior já registrada no país em uma única ação. — É um dia em que a Polícia Civil de Santa Catarina fez história com aquela que é a maior apreensão de cocaína da história do estado em uma única ação — afirmou Nogueira, ao destacar o trabalho da equipe responsável pela investigação.
Polícia Civil de SC apreende 4,4 toneladas de cocaína em pacotes com borracha de cocaína Observação e ação policial
As primeiras informações sobre atividades suspeitas em Balneário Piçarras chegaram à polícia entre três e quatro semanas antes da operação. Os investigadores identificaram uma van branca que permanecia em um local isolado durante a noite e se movimentava durante o dia.
O comportamento chamou a atenção dos policiais quando perceberam que pessoas chegavam ao local onde a van estava estacionada em dois carros alugados, um Hyundai Creta e um Nissan Kicks, ambos novos e de alto valor. Os ocupantes deixavam os automóveis estacionados e seguiam viagem utilizando o furgão.
A partir de consultas aos sistemas policiais e levantamentos de inteligência, os investigadores descobriram que os veículos alugados estavam vinculados a dois britânicos. A informação aumentou as suspeitas da equipe, que passou a acompanhar mais de perto a movimentação.
— Nos chamou muita atenção quando focamos na van utilizada. Começamos a ter várias suspeitas desse movimento: por que eles chegavam com carros bons, deixavam esses automóveis junto à van e iam para algum lugar que ainda não sabíamos? — relatou Eduardo Dallo, Delegado de Polícia da DECOD de Itajaí, que detalhou todo o esquema na coletiva.
Primeira abordagem Nas 72 horas anteriores à operação, policiais se revezaram em turnos para monitorar a van e os veículos.
Com apoio de levantamentos de inteligência, pesquisas, acompanhamento e imagens de drones, a equipe identificou uma ligação entre o furgão e um galpão em Balneário Piçarras. Os investigadores perceberam que cinco pessoas chegavam ao local nos carros alugados, deixavam os veículos estacionados e utilizavam a van para transportar materiais até o galpão.
O deslocamento se repetia, diariamente, 9h e 16h. Inicialmente, os policiais chegaram a considerar a possibilidade de que o grupo transportasse produtos alimentícios, como frango refrigerado.
A hipótese foi descartada após uma análise do consumo de energia do imóvel indicar que o galpão não possuía estrutura de câmara fria. A operação foi deflagrada quando os investigadores decidiram abordar a van no momento em que deixava o imóvel.
Dentro do veículo, foram encontrados materiais de borracha utilizados na fabricação de pneus e câmaras, além de aproximadamente 5 kg de cocaína. Os cinco ocupantes foram rendidos e os policiais solicitaram acesso ao galpão.
Água sanitária e apreensão No interior do imóvel, os investigadores encontraram um sexto homem, responsável por vigiar a carga.
O galpão estava trancado pelo lado de fora com um cadeado. Os policiais também identificaram diversos paletes envoltos em plástico-filme, protegidos por materiais de borracha de pneu, além de uma grande quantidade de água sanitária.
O forte cheiro de produtos químicos levantou a suspeita de que o material pudesse estar sendo utilizado para dificultar a identificação da droga por cães farejadores. Segundo os investigadores, as caixas estavam cuidadosamente protegidas, possivelmente para impedir a localização dos entorpecentes.
Os policiais começaram a abrir os paletes. Nos primeiros, não encontraram cocaína, mas a droga foi localizada em um dos conjuntos armazenados no fundo do galpão.
Ao perceber que os investigadores haviam encontrado o entorpecente, um dos suspeitos, que aparentava liderar o grupo e falava um pouco de português, afirmou que havia aproximadamente quatro toneladas de cocaína naquele setor. A equipe solicitou apoio do Núcleo de Operações com Cães da Polícia Civil.
Apesar do forte odor dos produtos químicos e das embalagens reforçadas, o animal conseguiu indicar a presença de mais entorpecentes. Com uma balança encontrada no próprio galpão, os policiais confirmaram o total de 4,426 toneladas da droga.
Os seis homens foram presos em flagrante. Segundo a Polícia Civil, a embaixada do Reino Unido foi comunicada sobre as prisões, e os estrangeiros puderam entrar em contato com familiares no exterior.
Celulares também foram apreendidos e serão analisados para ajudar a identificar a origem e o destino da cocaína, além de possíveis outros envolvidos no esquema. A Polícia Civil informou que solicitou à Justiça a conversão das prisões em flagrante em preventivas.
A investigação continua para identificar os responsáveis pela carga e esclarecer se o grupo integra uma organização criminosa nacional ou internacional. — Acreditamos veementemente que há uma organização criminosa por trás, dado o alto valor financeiro envolvido, mas a investigação dirá se é uma organização nacional ou internacional — afirmou o delegado-geral.
Segundo Nogueira, cada quilo da droga poderia ser comercializado no Reino Unido por aproximadamente R$ 110 mil, o que representa um prejuízo de cerca de R$ 486 milhões para o narcotráfico.
O Globo