Boom de comunidades femininas no Rio une bem-estar, networking e apoio emocional

 

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Após meia década morando em São Paulo, a bióloga e advogada catarinense Eduarda Muccini, de 31 anos, desembarcou no Rio com desejo de viver o lifestyle carioca. Na capital fluminense, já tinha uma amiga, a relações públicas paulistana Lilian Cordeiro, de 29, com quem havia criado uma forte ligação no trabalho. “Refletimos sobre o quanto mulheres deixam de se divertir porque estão sozinhas”, relembra Duda. “Foi quando pensamos em fazer um ‘evento’ de altinha só para nossas amigas. Anunciamos também no Instagram e vieram outras três meninas que não conhecíamos. Ali, vimos que poderíamos ter começado o projeto das nossas vidas”, acrescenta Lilian.

Foi assim, em outubro do ano passado, que a dupla deu início ao Constela, comunidade feminina que já soma mais de cem mulheres membros, com promoção de atividades que vão do esporte à arte, e encontros com roda de conversa. A cearense Lara Machado, de 31 anos, chegou ao grupo um mês depois, estabelecendo na cidade uma nova rede de apoio. “O Rio tem a fama de ser um lugar bom para fazer amizades, mas não é bem assim. É muito bom estar entre elas. Percebi outras possibilidades de vivência com as meninas por volta dos 30 anos, potentes.”

Constelas

Alexandre Cassiano/Agência O Globo

Referência de grupos mais recentes, o Papo Delas, comunidade idealizada pela empreendedora Maria Antonia Chady, de 29 anos, e pela arquiteta Isabela Rozental, de 31, em 2023, foca, principalmente, em networking entre mulheres, levantando a bandeira do sucesso profissional e da independência financeira feminina. “Nossos eventos, encontros e palestras servem não só para aprendermos, mas também para ter o que trocar de conhecimento umas com as outras”, comenta Maria. “O Papo gera oportunidades e cria conexões. O meio corporativo tende a ser pesado, então levamos um pouco dessa nossa leveza carioca. Já são mais de mil mulheres em nosso grupo”, afirma Isabela.

Outra comunidade pelo Rio é a Aura Club, liderada pela nutricionista Gabriella Salles e pela psicóloga Nathália Salgado, ambas de 30 anos. “No meu consultório, percebi o quanto é difícil fazer novas amizades na vida adulta. Promovemos encontros, eventos esportivos, oficinas de colagem e outras atividades manuais em grupo, pensando em mulheres que buscam autoconhecimento e vida saudável”, diz Nathália.

Aura Club

Arquivo pessoal

Mesmo no começo, a dupla já pensa lá na frente: profissionalizar o Aura Club e fazer da comunidade uma fonte de renda. A ideia segue o exemplo do Constela e do Papo Delas, que funcionam com assinatura mensal (R$ 59,90 e R$ 88 no plano anual, respectivamente) e liberam benefícios exclusivos.

A psicóloga Daniela Oliveira lê as comunidades femininas como um gesto de acolhimento. “Esses grupos recriam, na vida adulta, espaços de pertencimento que antes vinham ‘dados’, como na escola ou na faculdade, e que o mercado de trabalho raramente oferece”, analisa a profissional. “Ajudam a mitigar a solidão contemporânea e a construir, na prática, redes de apoio capazes de sustentar não só vínculos, mas também uma forma mais resiliente de atravessar a vida.”