Bombardeios israelenses atingem o Irã perto de marcha pró-regime em Teerã

 

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As Forças Armadas de Israel voltaram a bombardear alvos no Irã nesta sexta-feira, incluindo locais em Teerã próximos a uma grande reunião de pessoas que participaram de uma marcha em apoio ao povo palestino que ganhou contornos de ato pró-governo nas ruas da capital, no 14º dia de guerra. Enquanto os militares israelenses miram alvos ligados à infraestrutura do regime iraniano, autoridades da nação persa retrataram o ataque perto do ato civil como uma demonstração de "desespero" por parte dos adversários, em um momento em que o conflito se alonga e os efeitos tomam proporção global.

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A marcha frequentada por ativistas pró-governo faz parte do Dia de al-Quds, manifestação anual que é realizada internacionalmente em apoio ao povo palestino, que ocorre na última sexta-feira do mês do Ramadã. Em meio à guerra, centenas de apoiadores do regime participaram carregando imagens de Ali Khamenei e de seu filho e sucessor, Mojtaba Khamenei. Imagens do presidente dos EUA, Donald Trump, e do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, foram pisoteadas.

Milhares de iranianos marcharam pelas ruas de Teerã para celebrar o Dia de Quds

Autoridades da cúpula do governo iraniano apareceram em público pela primeira vez durante a marcha e conversaram com a imprensa estatal. O chefe do Conselho de Segurança Nacional do Irã, Ali Larijani, minimizou os recentes ataques israelenses e americanos à capital, e disse que as operações àquela altura eram um sinal de desespero.

— Esses ataques são motivados pelo medo, pelo desespero. Uma pessoa forte não bombardearia manifestações. É evidente que isso [a ofensiva militar] falhou — declarou Larijani, que ainda adotou um tom desafiador para se referir a Trump. — [Ele] não entende que o povo iraniano é uma nação corajosa, uma nação forte, uma nação determinada. Quanto mais ele pressionar, mais forte se tornará a determinação da nação.

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Analistas apontaram nos últimos dias que os ataques contra o território iraniano reacenderam um forte teor anti-imperialista em manifestações públicas — em um momento em que a oposição se recolheu diante de ameaças de uma repressão ainda mais forte e do bloqueio de internet no país. Também apontam indicativos de que o cálculo americano-israelense era de que o ataque fulminante inicial levaria a uma campanha curta. Trump afirmou há alguns dias que ainda espera quatro a cinco semanas de ações, enquanto autoridades israelenses sinalizam que podem continuar com o avanço militar por tempo indeterminado.

Pelo lado iraniano, a presença de Larijani no ato desta sexta-feira foi uma das primeiras aparições ao ar livre de uma figura da cúpula do regime desde o ataque de 28 de fevereiro. Além do chefe do Conselho de Segurança, estiveram nas ruas de Teerã o chefe do Judiciário, Gholam Hossein Mohseni Ejei, e o chefe da polícia nacional, Ahmad-Reza Radan.

Fumaça nos céus de Teerã durante marcha pelo Dia de al-Quods

AFP

— Nosso povo não tem medo dos bombardeios, continuaremos por esta rota — disse Ejei à TV estatal, enquanto eram ouvidas explosões ao fundo.

O Exército de Israel emitiu um alerta, antes dos novos ataques a Teerã, indicando que a população civil do país evitasse áreas da capital que seriam alvo de bombardeios. A publicação, via o perfil em língua farsi na rede social X, pouco provavelmente chegou aos iranianos, que lidam com um bloqueio de internet estabelecido pelo governo.

Os militares israelenses afirmam ter atingidos alvos nas últimas 24 horas em Teerã, Shiraz (sul) e Ahvaz (oeste), incluindo quartéis do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica e locais usados para fabricação de diversas armas, sistemas de defesa aérea e produção de componentes para mísseis balísticos. (Com AFP)