Um ataque aéreo militar atingiu um mosteiro budista e matou 14 pessoas na região central de Mianmar nesta sexta (21), informou um grupo de oposição e um morador à rede de televisão catari Al Jazeera.
Veículos locais e a BBC também falam em 10 a 14 vítimas.
Mais de 100 pessoas estavam reunidas no mosteiro para um evento religioso no vilarejo de Swel Le Oh, no distrito de Myaung, a 75 km de Mandalay – a segunda maior cidade do país.
Nway Oo, porta-voz da Organização de Segurança e Defesa Civil de Myaung (CDSOM), afirmou à Al Jazeera que um caça foi responsável pelo ataque.
Entre os mortos estariam pelo menos três mulheres.
Outras 20 pessoas ainda ficaram feridas, estima a CDSOM.
O retiro, que duraria uma semana, marcava para os mortos e feridos uma parte da "quaresma budista", oficialmente conhecida como Vassa.
Um morador do vilarejo, que pediu para não ser identificado, contou à agência Associated Press que duas bombas foram lançadas sobre o vilarejo em apenas 15 minutos.
Sua sogra morreu no ataque.
As Forças Armadas não comentaram o ataque, mas já alegaram anteriormente que só atacam "alvos legítimos".
Mianmar passa por uma guerra civil desde que o Exército do país tomou o poder do governo eleito em fevereiro de 2021.
Aung San Suu Kyi, ex-conselheira de Estado de Mianmar – cargo equivalente ao de um primeiro-ministro – e vencedora do prêmio Nobel da Paz segue presa, aos 81 anos, desde que os militares tomaram o poder.
Ela foi movida para prisão domiciliar em abril.
Os militares suprimiram com violência quaisquer protestos pacíficos desde sua ascensão.
Por isso, alguns opositores resolveram partir para a resistência armada – seus grupos já controlam 42% do país, contra 21% do governo militar, segundo a BBC.
O think tank americano Council on Foreign Relations estima que a guerra civil já tenha matado mais de 100 mil pessoas e feito 5,2 milhões de refugiados.
A região de Sagaing, onde fica Myaung, é um polo da resistência armada contra a junta militar – e por isso alvo fácil para ataques aéreos.
O país passou por eleições legislativas entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 e, segundo a ONU (Organização das Nações Unidas), as hostilidades crescentes aumentaram também o número de bombardeios desde então.
Bombardeio em mosteiro budista em Mianmar mata 14; pelo menos 100 meditavam no local
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