Bolsonaristas da Bahia reagem após ACM Neto sugerir apoio a Caiado à presidência e cobram palanque para Flávio
A sinalização de apoio do candidato ao governo da Bahia ACM Neto (União) à Ronaldo Caiado (PSD) na corrida pela Presidência da República abriu uma crise no PL local. Embora a chapa de ACM Neto seja composta pelo presidente estadual da legenda, João Roma, que tenta o Senado, deputados do partido ameaçam não apoiar o ex-prefeito de Salvador para garantir um palanque para Flávio Bolsonaro (PL), também postulante ao Planalto, na Bahia.
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Entre os parlamentares do PL que se manifestaram contra a possibilidade de apoio de ACM Neto à Caiado estão o deputado federal Capitão Alden e o deputado estadual Diego Castro.
— Queremos um posicionamento do ACM com relação ao apoio à Flávio na Bahia porque é interessante o discurso de se unir para tirar o PT do governo do estado. Mas, quando falamos de tirar o PT do Planalto, (esse debate) fica em segundo plano — diz Castro.
Já Raíssa Soares, que disputou Senado em 2022, defende que "a Bahia terá papel decisivo em 2026". A médica conhecida pela defesa do tratamento precoce durante a pandemia da Covid-19 afirma que a oposição "precisa tratar com seriedade a unidade e o posicionamento".
— ACM Neto precisa compreender que não se constrói um projeto forte ignorando um eleitorado de direita numeroso e mobilizado, e que o Brasil precisa de um projeto nacional claro que passa pela eleição de Flávio Bolsonaro como presidente — diz Soares, que é pré-candidata à Câmara no pleito deste ano.
No mês passado, ACM Neto sinalizou ao GLOBO que vai apoiar Caiado diante da relação de longa data entre eles, mas afirmou que ainda vai ouvir o União Brasil. A declaração ocorreu após o ex-governador de Goiás ter anunciado que também pretende estar com o baiano na eleição deste ano.
— Tenho uma relação histórica com Caiado, de mais de 25 anos de amizade, o que nos aproxima, o que torna muito difícil não estar com ele. A pré-candidatura dele até foi lançada em Salvador — disse ao GLOBO, ressaltando que vai respeitar o posicionamento de seus aliados assim como dos demais partidos da aliança.
No União Brasil, não há definição sobre o apoio presidencial — a sigla ainda tem ministérios no governo Lula. De um lado, há um grupo que defende o alinhamento com Caiado. De outro, aliados que trabalham pela candidatura do senador Flávio Bolsonaro. Há ainda uma terceira ala que prefere deixar os diretórios regionais livres para decidir. Caiado deixou o União Brasil neste ano rumo ao PSD com o objetivo de se cacifar na corrida pelo Planalto.
