Bolsonaristas criticam revogação de 'taxa das blusinhas' e atribuem ação do governo à 'milagre eleitoral'
Bolsonaristas utilizaram as redes sociais para criticar o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) devido à revogação da chamada "taxa das blusinhas", a cobrança de 20% para produtos importados de até US$ 50. A medida foi publicada na noite desta terça-feira e, segundo a oposição, tem caráter "eleitoreiro", uma vez que a implementação da tarifa foi defendida por parlamentares governistas e também pelo ex-ministro da Economia, Fernando Haddad (PT).
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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) publicou um vídeo ironizando a ação do governo. Ele gravou Lula durante a posse do ministro Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF), como presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
— Esse cara acaba de revogar a "taxa das blusinhas" que ele mesmo criou. É o milagre do ano eleitoral — disse Nikolas. — Será que ele realmente está preocupado com o Brasil? De forma alguma. Está preocupado em ganhar seu voto, mesmo que, durante muito tempo, isso significou você pagar mais caro — completou.
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Outro nome forte nas redes, o deputado federal André Fernandes (PL-CE) também ironizou a decisão: "a situação está tão crítica que o principal feito do governo Lula foi revogar sua própria medida". A deputada federal Bia Kicis (PL-DF) lembrou das declarações da primeira-dama Janja da Silva, que, à época da implementação, alegou que a taxação atingiria somente as empresas, e não os consumidores.
"Depois de ter arrecada quase dois bilhões de reais com a “taxa das blusinhas” - que Janja disse que seria pago apenas pelas empresas - agora, Lula, a menos de 5 meses das eleições, decide revogar a cobrança. Antes, era para o bem do setor varejista. E agora, como fica? Vale tudo para enganar o eleitor às vésperas das eleições", escreveu.
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O líder do PL na Câmara, deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ), comparou a medida imposta pelo governo Lula com um eventual mandato do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República. Na postagem, ele se referiu ao petista como "descondenado", além de chamar Haddad de "Tachad" — termo difundido entre a oposição após o desgaste causado pelo aumento de impostos.
"Somente com o Flávio Bolsonaro as blusinhas não terão taxas os 4 anos, o Descondenado cobrou durante 3 anos, o Tachad estava completamente errado! Agora quero saber se haverá incentivo para indústria nacional?", declarou o parlamentar.
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O senador Carlos Portinho, ex-líder do PL no Senado, seguiu a mesma linha dos correligionários e alegou que Lula "retirou a taxa que ele mesmo tinha enfiado".
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Impacto político
O termo "taxa das blusinhas" é utilizado para se referir ao programa Remessa Conforme, criado para viabilizar a cobrança do Imposto de Importação de 20% sobre compras internacionais de até US$ 50. Antes, na prática, a taxa estava zerada.
A medida provisória também permite ao governo reduzir de 60% para 30% na faixa de produtos entre US$ 50 e US$ 3.000. Porém, porquanto, a Fazenda manteve a alíquota em 60% – assim como as demais importações.
Com a publicação da MP, a partir de quarta-feira, as compras até este valor não pagarão imposto, de acordo com o governo. Porém, ainda haverá a cobrança de ICMS, que varia entre 17% a 20%, a depender do estado.
De acordo com dados da Receita Federal, nos quatro primeiros meses de 2026, o governo arrecadou R$ 1,78 bilhão em imposto de importação com as encomendas. Foi uma alta de 25% na comparação com o mesmo período do ano passado.
O cenário de zerar totalmente a taxa era defendido por uma ala do governo com assento no Palácio do Planalto que argumenta que a mudança precisa ter impacto efetivo nas compras de valores mais baixos e com isso impactar a população de renda mais baixa.
Nos levantamentos internos do Palácio do Planalto, a "taxa da blusinhas" é apontada como um dos principais pontos negativos do governo, junto com segurança pública e temas como combate à corrupção. Essas aferições têm motivado a ala política do governo a rever a medida.
