Bolsas ecológicas ajudam animais abandonados na Zona Oeste
No quintal de uma casa no conjunto Dom Jaime Câmara, em Bangu, na Zona Oeste do Rio, sacos de ração que antes iriam para o lixo ganham um novo destino. O material é transformado em bolsas ecológicas e ajuda a alimentar e cuidar de animais abandonados por meio do SustentaCão.
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Criada em 2018 por Wallace Pala, de 41 anos, a iniciativa nasceu da convivência diária com a realidade da comunidade e o sofrimento de cães e gatos em situação de abandono. Estudante do último período de Serviço Social na Estácio, ele conta que a ideia surgiu após o fim das sacolas plásticas em alguns supermercados. Pala começou a testar materiais reutilizáveis até chegar aos sacos de ração. Sem grandes expectativas, publicou uma foto das primeiras bolsas nas redes sociais.
— Postei uma foto sem pretensão e acabou viralizando. O retorno da comunidade me ajudou a prosseguir — conta.
Hoje, o SustentaCão recebe doações de embalagens de todo o Brasil e vende as bolsas pelas redes sociais, principalmente pelo Instagram (@wallacepalapala). Cada peça custa R$ 20, e toda a renda é destinada à compra de rações e medicamentos, além de atendimento veterinário para cães e gatos resgatados.
Cerca de quatro mil bolsas já foram produzidas, diz Wallace Pala. Atualmente, o projeto vende cerca de 30 unidades por mês, com o apoio de amigos, parentes e comerciantes locais que ajudam na divulgação do trabalho.
As contribuições podem ser feitas por meio da doação de sacos de ração vazios ou com ração, apoio financeiro e parcerias com clínicas veterinárias.
Resgates de cachorros e gatos
Mais do que transformar sacos de ração em bolsas sustentáveis, o SustentaCão também busca conscientizar moradores sobre a responsabilidade com os animais. Ao longo dos anos, Wallace Pala acumulou histórias que revelam os impactos do abandono e da violência contra cães e gatos nas ruas do Rio.
Uma delas é a de Bob, cachorro resgatado em estado gravíssimo após ser atropelado na Avenida Brasil, na altura de Realengo. Mesmo diante da recomendação de eutanásia, Wallace decidiu insistir no tratamento. Bob sobreviveu, é cadeirante e espera por adoção.
Outra história marcante é da Felpudinha, uma gata ferida por linha com cerol, que perdeu uma das patas. Após o resgate e o tratamento feito com ajuda da comunidade, ela se recuperou e ganhou uma nova chance de viver.
