Bolsa valoriza 12% e tem melhor início de ano desde 2006; veja performance de outros investimentos

 

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O Ibovespa registrou o melhor mês de janeiro em vinte anos, com valorização de 12,56%. Desde o início de 2006 os investidores da Bolsa brasileira não viam um início de ano tão positivo como o atual. Naquele ano, a valorização foi de 14,2% no mês.

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O aporte do investidor estrangeiro, que alcançou 91% de todo o montante aplicado por ele aqui no ano passado, ajudou a catapultar o índice às máximas históricas neste ano.

A renda variável superou com folga o rendimento de tradicionais investimentos em renda fixa mesmo com o atual patamar restritivo da Taxa Selic, hoje em 15%.

A nível de comparação, aplicações atreladas em 100% do CDI, taxa semelhante à Selic, rendeu 1,16% em janeiro. O rendimento da caderneta de poupança, por exemplo, foi de 0,5% apenas.

Mas o que promoveu todo esse movimento, mesmo com os riscos da renda variável? Quem não aproveitou todo esse rali, ainda dá tempo de aproveitar? Veja o que dizem analistas sobre as apostas na Bolsa.

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Rotação global

A tese de diminuição de investimento em aplicações de inteligência artificial nos Estados Unidos e a busca por ativos da “economia real”, como commodities (matérias primas essenciais para a indústria em todo o mundo), contribuiu e muito com o ímpeto da Bolsa neste mês, diz José Maurício Pimentel, economista-chefe da BB Asset Management, casa com R$ 1,7 trilhão sob custódia. Foi a maior valorização para um único mês desde novembro de 2020. Mas este não foi o único fator para toda valorização, ele diz:

— Há um vetor global e um idiossincrático, doméstico: há um excesso de liquidez e cansaço da tese do S&P (500, principal índice americano), das Sete Magníficas (grandes empresas de tecnologia dos EUA), com euforia, e esse fluxo acaba indo para Bolsa de emergentes. E aqui há uma Bolsa com bons resultados e boas expectativas futuras, com revisões de lucro para cima, para além da redução de Selic — afirma.

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Nesta sexta-feira, foi divulgado que o saldo do investidor estrangeiro no segmento de ações no Brasil alcançou R$ 23,06 bilhões só em janeiro até a última quarta-feira, 28. O volume representa quase 91% do aplicado pela classe em todo ano de 2025, de R$ 25,4 bilhões.

“O dado sugere uma mudança importante de percepção sobre o risco Brasil, com investidores globais antecipando posições diante de preços ainda considerados atrativos e de um ambiente cambial mais favorável”, diz Einar Rivero, da consultoria Elos Ayta, em relatório.

Para além do ingresso internacional, a redução dos juros favorece e muito a dinâmica da Bolsa. É que, de acordo com Pimentel, para além da diminuição do custo de crédito, que fomenta a economia, há redução das dívidas das empresas, já que os empréstimos são atrelados à taxa. Com a perspectiva de lucros cada vez maiores, elas possibilitam um retorno maior aos acionistas.

— E não foi uma dinâmica só de Brasil, mas de todos os emergentes — diz Pimentel, da BB Asset.

Vai continuar?

A princípio, a alocação do investidor estrangeiro em Bolsas emergentes deve continuar a aumentar. Em relatório assinado por Aline Cardoso, chefe de estratégia de ações do Santander, o interesse internacional segue firme:

“A maioria dos fundos já está com posição acima da média no Brasil, mas alguns ainda aguardam uma correção de mercado ou o início formal do ciclo de afrouxamento monetário antes de ampliar a exposição”, disse em trecho do documento.

Já o economista da BB Asset afirma que a hora é de parcimônia. Pimentel vê que, apesar do "rali" de janeiro, a Bolsa tende a continuar subindo, mas com menor intensidade:

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— É um momento que o investidor precisa se mostrar mais cauteloso em relação às teses que compra e com o volume de investimentos que vai alocar — ele diz, recomendando atenção por conta da volatilidade, que será presente em 2026 por conta das eleições.

— É um ano com mais volatilidade, que não significa que seja ruim para os ativos, mas vai demandar mais cautela para o investidor.

Carol Stange, educadora financeira, afirma que é necessário constituir uma reserva de emergência antes de aportar dinheiro em renda variável, e indica que o investidor não deve precisar do valor investido no curto prazo:

— É preciso mapear os objetivos de médio e longo prazo e é preciso aceitar que a realização desse caminho não é uma linha reta. A Bolsa sobe caindo. Investir em ações exige tolerância às oscilações e compreensão todo dia, e que o valor se constrói com o tempo — ela diz.

Fundos podem ser opção

Com a orientação de não “por todos os ovos numa cesta só”, a indicação de Pimentel é apostar nos fundos de investimento, que possuem um gestor profissional e miram a diversificação, apostando em teses mais amplas e não só em papéis únicos:

— A vantagem do fundo é sempre diversificação, porque não se compra tese de uma empresa, mas sim um mix. E o investidor precisa entender que a solidez é mais importante do que a moda, e não cair em cantos de sereia — ele afirma, relembrando que fundos expostos ao ouro oferecem a valorização da disparada do metal sem precisar comprar barras físicas, diretamente.

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Renda fixa segue atraente

Mesmo com a já contratada redução da Taxa Selic para a próxima reunião do Copom, em março, a renda fixa ainda segue atraente, avalia Larissa Frias, planejadora financeira do C6 Bank.

— O investidor ainda consegue ter retornos bastante atrativos tanto na renda fixa pública ou títulos privados — afirma ela, indicando como um bom momento para adquirir títulos prefixados, como o Tesouro Selic, e atrelados à inflação, para prazos mais curtos. Para mais longos, ela indica o Tesouro IPCA+, que possui opções que rendem mais de 7% e corrige perdas com a inflação.