Bolsa brasileira atrai R$ 23 bi de estrangeiros em janeiro, valor quase igual ao fluxo anual de 2025

 

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O ingresso de capital estrangeiro na Bolsa até 28 de janeiro deste ano já superou R$ 23 bilhões e representa, até agora, o maior volume mensal desde janeiro de 2022, segundo dados da B3. O montante equivale a mais de 90% de todo o investimento estrangeiro registrado ao longo de 2025, quando entraram R$ 25,47 bilhões. No mês, o Ibovespa acumulou alta de 13,17%.

Para Raphael Figueredo, estrategista de ações da XP, o movimento confirma uma tendência que já vinha sendo desenhada, embora tenha surpreendido pela intensidade.

— De fato, há uma entrada muito forte de recursos internacionais. Isso era algo que poderia ser esperado, talvez não nessa magnitude em janeiro — diz.

Segundo Raphael Figueredo, parte da explicação está no cenário internacional, com investidores revendo a exposição aos Estados Unidos diante da instabilidade das políticas econômicas de Donald Trump e buscando outros mercados que ofereçam maior retorno.

— O mundo passa a questionar um pouco a institucionalidade dos EUA, e isso faz com que investidores reduzam a alocação lá para buscar praças mais competitivas, que paguem taxas de juros mais elevadas e ofereçam diferencial atrativo — diz.

Nesse processo, os emergentes tendem a se beneficiar, e o Brasil aparece como um dos principais destinos por reunir peso relevante em commodities e forte representatividade na América Latina. Cerca de 30% do Ibovespa está ligado ao setor, e o país responde por mais da metade do mercado regional, fatores que ajudam a explicar a atração por ativos locais.

O estrategista acrescenta que o rali das matérias-primas tem papel central, mas não é o único motor do interesse estrangeiro. Para ele, o mercado acionário brasileiro “ainda negocia com desconto em relação a outros emergentes” e conta com empresas “apresentando resultados sólidos, reforçados por uma temporada de balanços positiva no terceiro trimestre e por projeções favoráveis para o quarto”.

No cenário doméstico, Figueredo avalia que o ambiente político em um ano eleitoral pode representar um obstáculo pontual, mas que, até agora, os riscos vêm sendo absorvidos pelos investidores, que enxergam o país em uma estratégia mais ampla de alocação em economias emergentes.

Outro elemento que sustenta o movimento é o enfraquecimento do dólar no exterior.

— Essa discussão sobre perda de força da moeda americana favorece essas economias. Vimos algo parecido no boom das commodities entre 2002 e 2008, e agora há um movimento semelhante. Não vai me surpreender se houver mais recursos pela frente — diz.

Além disso, a perspectiva de cortes de juros tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil reforça o cenário favorável.

— Esses dois movimentos funcionam como catalisadores e naturalmente direcionam mais dinheiro para emergentes, especialmente para o Brasil, o que tende a impulsionar múltiplos e favorecer o mercado, mesmo que correções intermediárias aconteçam ao longo do caminho conclui.