Bolsa banqueiro em perigo. Tripé neoliberal na corda bamba

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Fonte da notícia: Brasil 247 Brasil 247

Se o governo der sacudida nos juros, jogando-os para baixo, na casa dos 7,5%/ano, contra os 13,75% Selic, que bombeiam os mais de 400% ano no cartão de crédito, como propõe o economista André Lara Resende, terá que utilizar reservas cambiais para evitar fuga de dólares/pressão inflacionária, controlando conta de capitais, totalmente, livres sob o regime do tripé neoliberal, ancorado em metas inflacionárias, câmbio flutuante e superavit primário, desde o Consenso de Washington, vigente, no Brasil, os anos de 1980.

Trata-se de jogo que envolve risco e oportunidades, na encruzilhada em que o neoliberalismo especulativo levou a economia brasileira, nas últimas quatro décadas, colhendo como resultado a desindustrialização e o retorno à economia primário exportadora. Porém, talvez, mais arriscado, ainda, é manter os juros nas alturas em que se encontram, sustentando a desindustrialização e ameaçando a soberania, como acontece, atualmente, com os Estados Unidos, aos quais sobrou, nas mãos de Donald Trump, apenas, a alternativa de acionar a guerra, para manter financeirização neoliberal, o que, por sua vez, lança economia mundial em incerteza total.

Antes disso, quem sabe, salve-nos o Criador, o Laranjão americano dance nas eleições parlamentes, desta terça-feira, 03, e seja submetido ao impeachment, no Império. O fato, no entanto, é que está à mostra, de forma gritante, perigo de impasse que o neoliberalismo especulativo levou o mundo e o Brasil, em particular, a uma encruzilhada perigosíssima.

Nesse sentido, ficou difícil saber se o mais arriscado é dar uma bancada nos juros – provavelmente, com aumento da oferta monetária, à lá Keynes, para gerar crédito mais barato – ou deixar a Faria Lima comandando o Banco Central, como vem acontecendo, o que põe a economia no turbilhão da crise.

MOBILIZAÇÃO SOCIAL CONTRA ESPECULAÇÃO FINANCEIRA Tal vendável não está descartado, especialmente, depois da mobilização social gigante, contrária ao livre mercado especulativo, arregimentada pelo deputado André Janones(Rede-MG), general da vitória, que garantiu 64 milhões de votos para Lula, vencendo Bolsonaro, de virada, com mais de 4 milhões de vantagem, frente ao bolsonarismo, algo, verdadeiramente, histórico.

Pelo sim, pelo não, ficou na corda bamba a estratégia neoliberal, com a qual somente ganha a bancocracia, ao abocanhar a Bolsa-Banqueiro, assim denominada pela economista Maria Lúcia Fattorelli, comandante-mor do movimento nacional pela Auditoria da Dívida Pública. A Bolsa-Banqueiro, estimada em R$ 250 bilhões/ano, garantida pelo pagamento de R$ 1,2 trilhão de juros/ano para girar a dívida, decorre de operações compromissadas pelo Banco Central, para enxugar liquidez monetária, cujo reflexo direto é a escassez de crédito caro, que inviabiliza o desenvolvimento sustentável, como, também, implode a dívida pública, detonando o capitalismo brasileiro, conforme alerta de André Lara Resende.

AJUSTE PARA ESPECULADOR Nesse sentido, a solução radical de Lara Resende alinha-se à de Maria Lúcia Fattorelli, de acabar com a Bolsa-Banqueiro, por meio da colocação de um teto para pagamento de juros(7,5%/ano), tal como os neoliberais da Faria Lima defendem para os gastos sociais, no atual arcabouço fiscal de viés neoliberal.

Se se pode tabelar em 2,5% o crescimento dos gastos primários, conforme determina o arcabouço fiscal, por que ficariam soltos os gastos nominais com o pagamento dos juros, que tendem a jogar a economia na recessão, contrariando a mobilização social que levou Lula à vitória e exige, por isso mesmo, um basta à ditadura financeira da Faria Lima?

Equalizar teto para gastos públicos primários, que puxam a economia(emprego, renda, consumo, arrecadação e investimento) com teto para gastos financeiros nominais(juros), que, ao contrário, não dão retorno econômico algum à sociedade, beneficiando, apenas, os rentistas especuladores, eis a discussão emergente em busca de uma política macroeconômica equilibrada, nacionalista, desenvolvimentista, que pode ganhar as ruas, empoderadas com a política de comunicação de Janones que levou Lula à vitória eleitoral.

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