Bolsa aciona circuit breaker, primeiro desde a pandemia, e Real despenca

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Fonte da notícia: Diario do poder Diario do poder

A B3, Bolsa de Valores de São Paulo, acionou o “circuit breaker” nesta segunda-feira após a vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno da eleição presidencial deste domingo (25). É a primeira vez que o mecanismo é acionado desde março de 2020, durante a pandemia de covid-19.

A medida se deu após ser registrada queda de mais de 10% no valor das ações. O circuit breaker interrompe temporariamente as negociações na Bolsa em momentos de forte queda do mercado.

Ele é ativado quando o Ibovespa cai 10% em relação ao fechamento do pregão anterior, com suspensão das operações por 30 minutos. Se, após a reabertura, a queda chegar a 15%, a interrupção dura uma hora.

Caso atinja 20%, a B3 pode suspender novamente as negociações por período a ser definido pela própria bolsa. Durante a suspensão, ficam interrompidas as negociações de ativos, derivativos e títulos de renda fixa privada.

No câmbio, o real perdeu mais de 10% em relação ao dólar, 8% já na abertura do mercado, cotado a R$ 5,42 e já atingiu R$5,60 no meio da manhã desta segunda-feira (26). Os futuros do Ibovespa caíram 15% e atingiram o limite de variação permitido logo após a abertura, forçando uma interrupção temporária das negociações.

A B3 ampliou a banda de flutuação diária para 20%. O Tesouro Nacional cancelou os leilões de títulos programados para os dias 27 a 29 de outubro.

Trata-se da maior queda do real desde 1999. A queda desta segunda reverte grande parte dos ganhos registrados após o primeiro turno.

Naquela ocasião, Flávio Bolsonaro terminou na liderança, com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula. No pregão seguinte, a Bolsa subiu 7,70%, aos 206.911 pontos — recorde em termos nominais e reais —, enquanto o dólar caiu 4,11%, a R$ 5,001.

No acumulado desde a confirmação das candidaturas de Lula e Flávio Bolsonaro, em agosto, a Bolsa registrava alta de 15,3%. O desempenho positivo dos ativos após o primeiro turno refletia a expectativa de vitória de Flávio e de um ajuste fiscal mais rigoroso sob seu governo.

Para os investidores, a continuidade de Lula na Presidência aumenta o temor de que não haja medidas suficientes para ajustar as contas públicas. A expectativa de menor controle fiscal tende a elevar o prêmio de risco exigido pelos investidores para financiar o governo, pressionando a curva de juros.

Com 100% das urnas apuradas, Lula obteve 51,79% dos votos válidos (64.256.232 votos) contra 48,21% de Flávio Bolsonaro (59.826.041 votos), segundo dados do Tribunal Superior Eleitoral divulgados pelo G1. No primeiro turno, a diferença havia sido de cerca de 2,2 milhões de votos a favor de Flávio; no segundo, Lula reverteu o resultado com vantagem de cerca de 4,4 milhões de votos.

O Ibovespa havia fechado a sexta-feira (23) em torno de 205.082 pontos. A reação do mercado na manhã desta segunda ocorreu em ambiente de forte pressão vendedora nos ativos brasileiros, conforme movimentos registrados no pré-mercado internacional na noite de domingo.

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