Boeing 737 MAX 10: liberado voar, 10 anos depoism 2017 até sua liberação para uso comercial na terça-feira, o 737 MAX 10 – a aeronave da família 737 de maior capacidade – teve uma trajetória tortuosa, que exigiu mudanças no projeto no meio do caminho e agora finalmente chega ao fim. A FAA, a agência de aviação civil dos EUA, aprovou o modelo para uso comercial, permitindo que a Boeing comece a enviar às companhias aéreas as mais de 1.555 aeronaves já encomendadas. O modelo é uma peça-chave na disputa da Boeing com a Airbus no mercado de aviões de corredor único, onde a empresa francesa leva vantagem sobre a americana com o seu A321neo, que tem maior alcance e leva mais passageiros do que o 737 MAX 10. O backlog da Boeing para o modelo representa 32% das 4.867 encomendas da linha MAX e 23% do total de 6.863 pedidos em aberto. As aéreas com maiores pedidos do 737 MAX 10 são a United, Alaska, American, Delta, Ryanair, Pegasus, WestJet, Vueling e SunExpress. As entregas da aeronave começarão entre o final deste ano e o início de 2027. United e WestJet deverão ser as primeiras a receber o novo avião. A Ryanair, que tem 150 737 MAX 10 encomendados, espera receber a primeira aeronave do modelo no início do próximo ano. O 737 MAX 10 comporta até 230 passageiros, comparado a até 195 do MAX 9 e 160 do MAX 7. A capacidade ampliada permite às companhias que já operam a família 737 MAX aumentar o porte das aeronaves em rotas com maior demanda. O anúncio ocorreu no dia em que o secretário de Transportes, Sean Duffy, foi à fábrica da Boeing em Everett, no estado de Washington. “Após extensas revisões de segurança, que incluíram milhares de horas de voos de teste, a equipe da FAA está pronta para aprovar esta aeronave para a venda,” disse Duffy. Na fábrica, ele disse que os EUA querem vencer europeus e chineses e que, para isso, é preciso certificar aeronaves mais rapidamente e prometeu simplificar o processo. A Boeing tenta certificar o MAX 10 desde o início da década passada. O avião foi lançado no Paris Air Show de 2017 e estava planejado para iniciar operação em 2020 — mas foi atropelado pela crise do 737 MAX 8. Em 2018, duas aeronaves do modelo sofreram acidentes que mataram 346 pessoas. Análises mostraram que os dois acidentes foram provocados por falhas em sensores, fazendo com que a FAA exigisse mudanças nos aviões – tanto os que estavam operando quanto os que aguardavam certificação. As melhorias incluíam atualizações no sistema de controle de voo, com um sensor de ângulo de ataque aprimorado. Um problema no sistema anti-gelo nos motores do 737 MAX, surgido em 2023, atrasou ainda mais a certificação do MAX 7 e do MAX 10. Em agosto deste ano, a FAA aprovou o MAX 7 após uma análise de mais de oito anos. Os atrasos ajudaram o A321neo a ficar com uma fatia maior do mercado. Visando reduzir a distância da concorrência, a Boeing inaugurou em julho uma nova linha de montagem em Everett, que deve elevar a produção mensal da família 737 para além de 47 aviões por mês. Com a aprovação da FAA, o próximo passo é a aprovação da Transport Canada e da EASA, a agência de segurança aérea europeia, que deve acontecer nos próximos meses.
Boeing 737 MAX 10: liberado voar, 10 anos depois
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