Bodas ao ar livre: espaços para casamento na Barra e nos arredores têm procura para festas de renovação de votos
Casamentos ao ar livre se tornaram tendência no Brasil há pouco mais de uma década, afirmam donos de espaços especializados neste serviço. E hoje, quem fez essa opção no auge da moda já está começando a voltar para renovar os votos. Se antes, as bodas de casamento eram comemoradas quase sempre aos 25 e 50 anos de relação, hoje os casais têm pressa para celebrar: festas de dez e 15 anos de casamento estão se tornando frequentes.
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O Lago Buriti, localizado em Guaratiba, foi construído do zero para cerimônias ao ar livre de grande porte, o que a empresária Taíssa Abtibol, dona do espaço, considera ser o seu diferencial.
— O nosso terreno fica dentro do horto de uma empresa de paisagismo, onde já havia o lago. Alugamos e construímos uma estrutura sofisticada, integrada na natureza — conta.
Segundo ela, o estilo escolhido foi valorizado ao longo dos dez anos que ocupa o local.
— Tenho percebido que as pessoas estão vendo a natureza de forma mais elegante. Antes a celebração era muito rústica; agora é sofisticada. Ela está cada vez mais inserida nas feiras de decoração, nas mostras de arquitetura — pondera.
Celebrações de bodas são mais recentes, mas a perspectiva é que a procura aumente.
— Infelizmente, o índice de divórcios é muito alto atualmente, então as pessoas que conseguem ficar juntas têm mais vontade de celebrar — acredita.
As bodas de casamento vêm ganhando um estilo próprio, com festas que podem ser até mais sofisticadas do que os próprios casamentos, mas com uma proposta mais madura e personalizada, explica. Além disso, os casais tendem a se estressar menos e aproveitar mais o momento.
— É uma comemoração que eu adoro fazer, porque tem outra proposta. As pessoas não têm a expectativa tão grande, como em casamentos, e têm mais experiência, sabem o que querem. O nível do evento é mais alto, o que acompanha o poder aquisitivo; geralmente as pessoas estão em outra fase da vida. É a comemoração de anos de história, muito emocionante; os filhos participam— aponta.
Foi assim nas bodas dez anos da psicóloga Fabíola Tavernard, comemorados em fevereiro, no Lago Buriti. Para ela, o espaço ao ar livre proporcionou uma experiência mais informal e, ao mesmo tempo, chique. Nem a previsão de chuva foi capaz de estragar o momento:
Fabíola Tavernard caminha até o altar com seus filhos, em sua cerimônia de bodas, no Lago Buriti
Divulgação/Raquel Escobar
— Acho que traz uma energia diferente, torna menos sério, aproxima mais as pessoas. E é muito mais bonito. Na hora dos votos, choveu, só que ficou bucólico, emocionante. Os convidados continuaram sentados, ninguém se levantou. Foi uma chuva do jeito certo; todos saíram comentando isso — conta.
Na renovação, Fabíola optou por manter fornecedores do casamento original, mas com escolhas mais alinhadas ao momento atual do casal. Ela conta que a decoração, o cardápio e as atrações foram pensados com mais consciência e personalidade, refletindo o amadurecimento individual dos noivos.
A festa também ganhou novos significados com a presença de seu enteado, de 16 anos, e seus filhos, um menino de 8 anos e uma menina de 6 anos, que caminharam com ela no até o altar.
Elementos simbólicos ajudaram a criar uma sensação de continuidade: a noiva usou a mesma flor de prata no cabelo e entrou com a mesma música que tinha saído do altar. Além de o marido ter percebido e se emocionado, ela conta que os convidados, que foram escolhidos seletivamente desta vez, também notaram a escolha.
Para a psicóloga, a decisão de celebrar os dez anos teve um sentido especial:
— Pra que esperar as bodas de pratas? A vida é agora. Precisamos aproveitar enquanto temos por perto as pessoas que mais amamos, nossos pais e nossos filhos. Olhando as fotos, as crianças diziam que gostariam de ter estado no dia, então quisemos aproveitar essa visão lúdica deles para compartilhar esse momento.
No Don Pascual, em Vargem Grande, a aposta é justamente na possibilidade de transformar o espaço em cenário de diferentes fases da vida do casal. O espaço conta com a “casa de vidro”, voltada para eventos menores, com vista para a floresta, além do restaurante, que pode ser reservado para celebrações maiores ao longo da semana, todos ao ar livre. O pacote inclui estrutura completa: mobiliário, utensílios e apoio, além de serviços como noite de núpcias e dia da noiva, com spa e ambientação especial.
Cerimônia. Casal celebra o casamento em meio à natureza, no Don Pascual
Divulgação/Bernardo Zirkheuer
Segundo Sandra Milani, a proprietária, é comum receber casais que retornam para reviver a experiência, em bodas ou momentos íntimos, muitas vezes com novos significados.
— Há duas semanas, recebi uma cliente que tinha casado aqui há um ano. Ela voltou vestida de noiva, pediu o mesmo cardápio e reservou uma suíte para refazer a noite de núpcias — conta. — A gente acompanha essas histórias: tem casal que começou a namorar aqui, depois se casa, depois volta com os filhos. É uma forma de viver tudo de novo, com outro olhar.
No Quiosque Moana, na Praia da Reserva, também tem havido procura por bodas, desdobramento de um modelo de negócio que se consolidou a partir da demanda por casamentos à beira-mar. Philippe Costa, que deixou o mercado bancário para assumir o quiosque do avô em 2018, conta que já no ano seguinte percebeu o potencial do nicho e decidiu investir na profissionalização do espaço.
Beira-mar. Casal celebra cerimônia no Quiosque Moana, na Praia da Reserva
Divulgação/Nanda Rodrigues
— Em 2019 apareceu a primeira noiva e eu vi que tinha um mercado gigantesco ali, impulsionado também pelo Instagram. Na época, as alternativas com a mesma proposta eram escassas, me lembro de ter visto só um quiosque em Niterói. Então comecei a reformar tudo, transformar o quiosque em um espaço de eventos de fato, com cozinha pensada para volume, operação mais profissional, padrão de salão de festas — afirma.
Hoje, com cerca de 130 casamentos por ano, ele destaca que a especialização e a proximidade com os clientes são diferenciais que ajudam a explicar o retorno para novas celebrações, como bodas e aniversários.
— A gente cria um vínculo. Tem casal que se casa aqui, volta para as bodas, depois faz festa do filho… e continua frequentando o espaço. Eu faço questão de manter o cliente por perto, até porque esse mercado exige confiança — diz.
O segmento de casamentos ao ar livre segue firme, paralelamente à tendência das renovações de votos. Criada em Vargem Grande, numa área muito arborizada, Mariana Mendonça fez questão de ter um casamento neste estilo, mas buscou um espaço que oferecesse um plano B — e acabou recorrendo a uma lona transparente no dia, devido à previsão de chuva.
Cerimônia. Casal celebra o casamento em meio à natureza, no Don Pascual
Divulgação/Gabriel Kolher
— A gente queria a natureza, mas também uma segurança. No fim, não comprometeu a estética — conta.
A cerimônia, para cerca de cem convidados, foi conduzida por amigos e pensada de forma íntima, uma vez que o casal já havia oficializado a união no cartório. No espaço Vila Inglesa Jardins, um lugar com o qual já tinha relação afetiva, o objetivo era criar uma atmosfera com identidade própria.
— Foi muito a nossa cara, com as pessoas que realmente importavam — resume.
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