Blocos tradicionais desfilam na Avenida Chile

 

Fonte:


Blocos tradicionais do Carnaval carioca voltam a desfilar na Avenida Chile, no Centro do Rio, mantendo viva uma das expressões mais antigas da folia popular. Ao longo de três dias, cerca de 20 agremiações de diferentes bairros, majoritariamente da Zona Norte, atravessam o circuito com baterias, samba-enredo e alas formadas por moradores que fazem do carnaval uma celebração coletiva e intergeracional. Neste domingo (15) e na segunda, o primeiro desfile começa às 16h, e o último, às 19h30. Na terça, a festa começa às 15h30, e o cortejo que encerra a festa deve passar a partir das 17h (veja a programação completa no fim desta reportagem).

É o Bafo da Onça que acabou de chegar em... Santa Teresa: bloco tradicional muda local do desfile nos seus 70 anos

Carnaval, venha, mas de mansinho: veja um roteiro para curtir longe das multidões na Barra da Tijuca (e com animação)

Os desfiles reúnem exclusivamente blocos de embalo, sem caráter competitivo, e atraem um público médio de 20 mil pessoas por dia. A organização é feita pela Liberj, em parceria com a Riotur, mas o protagonismo é dos blocos e de suas comunidades, que transformam a avenida em uma passarela da cultura popular.

Segundo o presidente da Liga, Mauro Souza, a ocupação da via vai além da folia.

— Atuamos para garantir que os blocos de embalo, afoxés e blocos afros continuem ocupando a Avenida Chile, que é uma passarela natural da cultura popular do Rio — afirma.

Para o vice-presidente Robson Silva, trata-se de “resistência cultural” e de um carnaval que devolve o espaço público à população.

Um exemplo dessa tradição é o Turma do Gato Futebol e Samba, de Pilares, fundado em 1950 e um dos mais antigos em atividade no carnaval carioca. Vice-presidente do bloco, Verônica Santos representa a quarta geração de uma família ligada à agremiação.

— A minha bisavó fundou o bloco. Eu nasci e fui criada dentro dele, junto com amigos que cresceram comigo no meio do samba — conta.

Segundo ela, o desfile na Avenida Chile simboliza a continuidade do carnaval tradicional.

— É muito importante ver as crianças de volta à rua, brincando carnaval. Isso é continuidade, mesmo, da tradição. Você herda aquilo, nasce no meio do samba, e aquilo toma conta de você — afirma. — A gente brinca que o nosso gato não tem sete vidas, tem 76.

Com bateria, samba-enredo produzido pela própria comunidade e elementos clássicos, como porta-bandeira e ala infantil, o bloco desfila no domingo, a partir das 16h.

— A gente vem com o pessoal da antiga, com quase 50 ritmistas, mas também com as crianças. É para brincar, pra festejar — diz Verônica.

Para ela, ocupar a Avenida Chile Ă© reafirmar o sentido popular da festa:

— Ali é o carnaval do povão, aberto para todo mundo. É importante valorizar essa cultura, porque o carnaval é do povo.

Veja a programação completa dos desfiles:

Domingo (15)

Vai Quem Quer do Catumbi – 16h

Pagodão do Beco de Pilares – 16h30

Unidos de Benfica – 17h

Pagodão de Madureira – 17h30

Engata no Centro – 18h

Turma do Gato – 18h30

Boêmios de Irajá – 19h

Acadêmicos da Botija – 19h30

Segunda-feira (16)

Vinil Social – 16h

Gigante dos Mares – 16h30

Xodó da Piedade – 17h

Ninho dos Cobras do Arsenal – 17h30

Cervejeiros – 18h

Boêmios de São Cristóvão – 18h30

Banda da Folia – 19h

Confraria da Bebidinha – 19h30

Terça-feira (17)

Alegria de Quintino – 15h30

Imperadores do Samba – 16h

Chorou Cuíca – 16h30

Foliões do Rio – 17h

Initial plugin text