'Bloco da ilegalidade nunca foi tão forte e unido no Brasil', diz Flávio Dino em evento em SP
O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino afirmou nesta sexta-feira (22), em São Paulo, que o “bloco da ilegalidade nunca foi tão forte e unido no Brasil”. Dino também fez críticas ao uso distorcido de emendas parlamentares, à atuação de facções criminosas e à lavagem de dinheiro no mercado financeiro.
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A declaração foi dada durante cerimônia fechada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, onde Dino recebeu o título de “notório saber” da instituição. O ministro foi aplaudido pelos convidados.
“O bloco da ilegalidade nunca foi tão forte e unido no Brasil. E aqui eu me refiro desde as facções armadas ao mercado de capitais que lava dinheiro das facções armadas. Me refiro àqueles que comercializam, compram, vendem decisões judiciais. Me refiro às emendas parlamentares, quando distorcidas — não são todas. Me refiro, portanto, a todos aqueles que traem os signos do poder do Estado para se integrarem no bloco da ilegalidade”, disse.
Em cerimônia fechada na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, Dino recebeu o título de 'notório saber' da instituição.
Bruna Barboza/CBN
Durante o discurso, Dino também rebateu críticas recorrentes ao Supremo e afirmou que a Corte não é “inimiga da nação”. O STF tem sido alvo frequente de questionamentos sobre supostas interferências em outros poderes e possíveis parcialidades de ministros.
Ao defender o tribunal, disse que passaria a usar a homenagem recebida da PUC como um “escudo”:
“É verdade que dizem que eu sou dos Vingadores, mas eles também usam escudo. Então ganhei mais um (honraria da PUC), para uma outra tarefa que me parece fundamental: aquela que, de medo desassombrado, não corporativista, crítico e enfático, diz que, definitivamente, O STF não é o inimigo da nação, como certas análises de modo enviesado procuram apresentar", falou.
O ministro ainda criticou o uso do termo “ativismo judicial” como forma de rotular magistrados e afirmou que a defesa de direitos sociais não pode ser tratada automaticamente como interferência indevida do Judiciário.
Segundo Dino, juízes que se definem previamente como “ativistas” estariam “brincando de Deus”, enquanto os que afirmam atuar sempre sob a lógica da “autocontenção” seriam “mentirosos”, já que julgar pressupõe necessariamente interpretar a lei.
Dino também arrancou risadas da plateia ao brincar com críticas que costuma receber. Após um integrante do Conselho Universitário da PUC dizer que o ministro agora era um “filho da PUC”, tradicional expressão da universidade, Dino respondeu que geralmente o chamam "de outra coisa".
Flávio Dino deixou o evento sem atender a imprensa.
