Biohacking: inovação para otimizar nossa saúde

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As pessoas querem viver mais e melhor. Em outras palavras, nós buscamos longevidade com vitalidade e bem-estar.

Esses dois elementos estão interrelacionados: a vitalidade pode ser entendida como a energia, a força física e mental que possibilita a um organismo manter-se ativo, saudável e resistente. E o bem-estar amplia essa questão ao incluir as dimensões de natureza social, financeira e espiritual, além da saúde física, mental e emocional.

No mundo corporativo, é comum encontrar executivos atletas que percebem como o esporte influencia positivamente o desempenho no trabalho. Preocupações com o sono também estão na pauta: sabe-se que a privação de sono afeta negativamente o desempenho dos executivos e empreendedores.

Na ciência, o avanço da pesquisa genética humana traz evidências que demonstram o efeito de determinantes genéticos na longevidade. O desenvolvimento dos medicamentos do tipo GLP-1 (Glucagon-like peptide 1 ou Peptídeo análogo ao glucagon 1) está redefinindo o tratamento da obesidade, diabetes e outros distúrbios metabólicos.

Pesquisas mais recentes estão investigando as propriedades anti-inflamatórias dessa classe de medicamentos e seus eventuais benefícios de proteção cardiovascular e melhoria na saúde neurológica. Nesse contexto, a prática de otimizar a biologia combinando ciência (ex.

genética e novos medicamentos) e ajustes no estilo de vida (ex.: atividade física e sono) para melhorar o nosso desempenho físico e mental, a longevidade e o bem-estar é conhecida como biohacking. De forma ampla, biohacking pode ser considerado como uma prática que utiliza o conhecimento em biologia para que as pessoas possam atingir níveis extraordinários de saúde e desempenho.

Especificamente, biohacking também é tratado como uma ciência que combina modificações pessoais – de natureza física, mental e social - com tecnologia. Em essência, além da prevenção de doenças, biohacking objetiva proporcionar um estado excepcional de saúde, com ênfase na vitalidade, bem-estar e longevidade.

Para tanto, ao menos cinco componentes podem ser combinados: medicina de precisão, suplementação, estilo de vida, cibernética e mensuração de dados de saúde. A medicina de precisão consiste na prática de adotar intervenções médicas que consideram as características individuais de cada paciente.

Assim, os tratamentos médicos são personalizados, e buscam otimizar a eficácia terapêutica e minimizar os efeitos colaterais. Por exemplo, para fins de diagnóstico e acompanhamento, podem ser utilizados mapeamentos genéticos e exames de metabolômica (avaliam o funcionamento do nosso metabolismo) e de microbiota (avaliam nossa flora intestinal).

A suplementação aborda as terapias de reposição e complementação de compostos com supervisão médica. Estes incluem a reposição hormonal (ex.: andropausa e menopausa), suplementos alimentares (ex.: vitamina D, ômega 3, creatina) e nootrópicos (ex.: L-teanina e piracetam).

O estilo de vida considera diferentes atividades relacionadas à nossa rotina e hábitos. Essas atividades incluem o sono (ex.: horário de dormir, duração do sono), a alimentação (ex.: dietas saudáveis), os níveis de atividade física (ex.: pelo menos 150 minutos de atividade física de intensidade moderada ao longo da semana), o estresse hormético ou hormese (ex.: banhos gelados, sauna, treinos de alta intensidade) e as restrições ao consumo de álcool e tabaco.

A cibernética consiste na utilização de tecnologias implantáveis nos seres vivos. Essas tecnologias contemplam dispositivos ou materiais inseridos (por vezes, cirurgicamente) no corpo humano para monitorar dados fisiológicos, restaurar funções ou aumentar capacidades físicas e mentais.

Exemplos incluem os implantes de microchips subdérmicos, sensores magnéticos e dispositivos cerebrais. A mensuração de dados de saúde consiste na coleta e interpretação de dados para fins de diagnóstico, tratamento e acompanhamento das condições de saúde de um indivíduo.

Exemplos incluem os wearables (ex.: anéis e relógios inteligentes), os sensores (ex.: monitoramento da glicemia) e os exames de rastreamento e diagnóstico (ex.: testes genéticos, painel metabólico completo). Vale destacar que biohacking pode otimizar nossa saúde, porém é uma ciência em evolução.

Há vários elementos ainda não elucidados associados à vitalidade, longevidade e possibilidades de rejuvenescimento. Um dos principais desafios consiste em identificar os fatores condicionantes da vitalidade e da senescência, suas interconexões e respectivas contribuições para a saudabilidade, além de estabelecer tratamentos para melhorar a saúde humana com efeitos colaterais mínimos.

*Marcelo Caldeira Pedroso, professor de inovação e empreendedorismo da FEA-USP e coordenador de ambientes de inovação da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de São Paulo Mais Lidas

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