Bill Clinton: o que novos arquivos do caso Epstein revelam sobre ex-presidente dos EUA?
A Justiça dos Estados Unidos divulgou um novo e volumoso conjunto de documentos judiciais ligados ao escândalo sexual que envolve o financista Jeffrey Epstein, já falecido e condenado por crimes sexuais, e sua parceira de longa data, Ghislaine Maxwell. Os arquivos acrescentam informações sobre a relação entre a dupla e pessoas ligadas ao ex-presidente americano Bill Clinton, sobretudo após o fim de seu mandato na Casa Branca.
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A liberação do material ocorreu poucos dias antes de uma votação esperada na Câmara dos Representantes, controlada pelos republicanos. Os parlamentares devem decidir se Bill Clinton e Hillary Clinton serão declarados culpados de desacato ao Congresso por terem rejeitado uma intimação para depor em uma investigação bipartidária sobre o caso Epstein.
O acervo recém-divulgado é extenso e reúne mais de três milhões de documentos. Entre eles estão fotografias inéditas de Bill Clinton ao lado de Epstein. Uma das imagens mostra o ex-presidente sem camisa em uma banheira de hidromassagem, acompanhado de alguém que, segundo informações da rede CNN, um funcionário do Departamento de Justiça descreveu como uma “vítima” de abuso sexual por parte do financista.
Além das imagens, os arquivos incluem e-mails que apontam comunicações frequentes entre Ghislaine Maxwell, que atualmente está presa por tráfico sexual, e integrantes da equipe de Clinton entre 2001 e 2004. O período coincide com diversas viagens feitas por Clinton no avião particular de Epstein. Segundo uma análise da CNN, o ex-presidente teria utilizado a aeronave ao menos 16 vezes, acompanhado de assessores.
Nos e-mails, os nomes dos funcionários geralmente aparecem ocultados, identificados apenas como "WJC", uma aparente referência ao escritório de William J. Clinton após a Presidência. Procurado pela CNN, o porta-voz do ex-presidente, Angel Ureña, afirmou que Clinton não foi o autor de nenhuma das mensagens.
— Não posso confirmar de quem era, só posso dizer de quem não era: de Bill Clinton — afirma.
Ureña reforçou o argumento:
— Eu diria que ele nunca enviou um e-mail, mas na verdade ele o fez duas vezes na vida, ambas como presidente. Uma vez para o ex-astronauta e senador John Glenn enquanto ele orbitava a Terra a bordo do ônibus espacial Discovery, e outra para as tropas americanas servindo no Adriático.
Segundo o porta-voz, Clinton "não possuía nem compartilhava um dispositivo, conta ou endereço com ninguém".
Tom 'insinuante'
Quanto ao teor das mensagens trocadas entre Ghislaine e o entorno de Clinton, grande parte trata de logística, como viagens, jantares e convites, inclusive convites de última hora para o próprio ex-presidente. Os documentos ressaltam que não está claro se essas comunicações estavam relacionadas a atividades da fundação de Clinton ou a assuntos pessoais dele ou de seus assessores.
Um dos exemplos citados é um e-mail de abril de 2003, no qual Ghislaine escreveu para um endereço do escritório de Clinton: "Que bom que você virá ao jantar - JE perguntou se você acha que Clinton gostaria de vir - me avise." Em outra mensagem, de dezembro de 2001, um integrante da equipe do ex-presidente solicitou a Ghislaine o número de telefone do então príncipe Andrew para coordenar uma partida de golfe durante uma viagem de Clinton à Escócia.
Em algumas ocasiões, Ghislaine adotava um tom insinuante ao se comunicar com endereços confidenciais ligados ao escritório de Clinton, conforme mostram os arquivos. Em uma dessas mensagens, escreveu que havia contado a um tabloide o quão "gostoso você é, como eu tenho uma queda por você, como você é bem dotado e... bem, você entendeu. Espero que não se importe!".
Apesar do volume e do teor das revelações, não há evidências nos documentos de que Ghislaine tenha se comunicado diretamente por e-mail com Bill Clinton, nem de que o ex-presidente tenha trocado mensagens diretamente com ela.
Os arquivos também indicam que, mesmo quase uma década após Ghislaine ter sido publicamente acusada, em 2009, de recrutar e abusar sexualmente de meninas ao lado de Epstein, ela continuava a ser aceita em círculos ligados a Clinton.
