Bilionários, empresários, ex-integrantes de governos e nomes ligados ao agronegócio estão entre os principais financiadores das campanhas eleitorais deste ano.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral, consultados pela CBN e atualizados até esta quinta-feira (27), mostram que os dez maiores doadores pessoas físicas já destinaram, juntos, R$ 9,85 milhões a candidaturas e partidos.
O maior doador é o empresário Alexandre Grendene Bartelle, cofundador da Grendene, que já repassou R$ 3 milhões.
Desse total, R$ 2,5 milhões foram destinados somente à campanha de Luciano Lorenzini Zucco (PL), candidato ao governo do Rio Grande do Sul.
Esse é o maior aporte individual identificado entre as candidaturas do ranking até o momento.
Grendene é um dos principais nomes do setor de calçados no país.
O segundo maior doador é Fabiano Augusto Martins Silveira, com R$ 2 milhões.
Advogado e ex-ministro do governo Michel Temer, ele direcionou o valor ao MDB na Paraíba, que deve distribuir entre os candidatos da legenda.
Em terceiro aparece Pedro Grendene Bartelle, também empresário e integrante da família controladora da Grendene, com R$ 700 mil em doações.
Ele é irmão de Alexandre, que lidera o ranking.
No caso dele, além de R$ 500 mil para Ciro Gomes, foram destinados R$ 200 mil à candidatura a deputado estadual do empresário Fabiano Feltrin (PL-RS).
Advogado e doutor em Direito Eleitoral, Ary Jorge Nogueira explica que, desde 2015, pessoas jurídicas estão proibidas de fazer doações.
Além disso, mesmo pessoas físicas, como os donos de empresas, têm uma limitação máxima de 10% dos rendimentos brutos recebidos no ano anterior.
Ary conta que, mesmo candidatos muito ricos, também têm limitações.
“Vamos supor que exista um candidato a governador muito rico e ele queira se autofinanciar.
Dos recursos próprios que ele pode injetar na campanha, sem incorrer em irregularidade, está limitado a 10% desse teto máximo.
Então, seriam 10% de R$ 3,5 milhões, em torno de R$ 350 mil.
Isso para governador do Acre, tá? No Rio de Janeiro, o teto máximo seria de R$ 8 milhões e uns quebrados.
Então, em torno de R$ 800 mil seria o máximo que um candidato milionário poderia injetar na própria campanha.
Não há nenhum benefício fiscal”, destaca.
Outro nome de destaque é Marcos Alberto Cabaleiro Fernandez, com R$ 600 mil.
Empresário, ele é ligado ao setor financeiro e imobiliário e foi um dos fundadores do Banco Inter.
Chama atenção a diversidade de aportes: apesar de ter doado R$ 400 mil para Flávio Roscoe, do PL de Minas Gerais, também doou R$ 200 mil a Edinho Silva, presidente nacional do PT e candidato a deputado federal em São Paulo.
Rodrigo Garcia, doutor em Direito e mestre em Ciência Política, explica que as novas regras limitam contribuições relevantes para uma campanha à Presidência, que é muito cara.
No entanto, elas podem ser decisivas para candidatos ao Legislativo e aos governos estaduais.
“Comunicação, transporte, equipes jurídicas, material gráfico...
Fazer campanha é muito caro.
As doações ajudam muito, são determinantes.
Talvez isso aconteça menos com campanhas presidenciais, que são mais caras.
Antigamente, era possível que uma grande empresa doasse muito dinheiro para um candidato à Presidência.
Mas um empresário ainda pode fazer uma doação, às vezes, para um candidato a deputado, a senador, quem sabe, ao governo”, explica.
O ranking de candidatos que mais receberam doações é liderado por dois nomes do PL: Flávio Roscoe, candidato ao governo de Minas Gerais, recebeu R$ 2,98 milhões, enquanto Luciano Zucco, candidato ao governo do Rio Grande do Sul, recebeu R$ 2,5 milhões.
Na sequência aparecem José Mendonça Bezerra Filho (PL-PE), candidato ao Senado, com R$ 1,2 milhão; Mateus Simões (PSD-MG), candidato ao governo de Minas, com R$ 1,055 milhão; Ciro Gomes (PSDB-CE) e Elmano de Freitas (PT-CE), ambos com R$ 1 milhão.
Com isso, três dos dez candidatos que mais receberam recursos de pessoas físicas são do PL.
O presidente Lula, do PT, e Flávio Bolsonaro, do PL, receberam recursos majoritariamente do Fundo Eleitoral e ainda não têm grandes doadores registrados.
No entanto, chama atenção uma doação pequena: um cidadão que doou a Lula 22 centavos, mesmo número usado na urna por Flávio Bolsonaro, do PL, adversário de Lula.
Os dados do TSE também mostram que as campanhas estão destinando valores expressivos à comunicação digital.
Entre os fornecedores que mais receberam recursos, o Facebook aparece na primeira posição, com R$ 7,5 milhões aportados até agora.
Veja quem são os dez maiores doadores:
1.
Alexandre Grendene Bartelle — R$ 3 milhões
Empresário e cofundador da Grendene.
É o maior doador pessoa física registrado até agora.
Seu principal aporte identificado foi de R$ 2,5 milhões para Luciano Zucco (PL-RS), candidato ao governo gaúcho.
2.
Fabiano Augusto Martins Silveira — R$ 2 milhões
Advogado e ex-ministro da Transparência no governo Michel Temer.
Destinou R$ 2 milhões ao diretório estadual do MDB na Paraíba, sem indicação de uma candidatura específica no ranking.
3.
Pedro Grendene Bartelle — R$ 700 mil
Empresário e irmão de Alexandre Grendene Bartelle.
Também é integrante da família controladora da Grendene e aparece como o terceiro maior doador pessoa física.
Doou para Ciro Gomes.
4.
Robert Carlos Lyra — R$ 700 mil
Empresário e um dos maiores doadores pessoa física registrados até agora.
5.
Clésio Soares de Andrade — R$ 600 mil
Empresário do setor de transportes, ex-presidente da Confederação Nacional do Transporte (CNT) e ex-senador por Minas Gerais.
6.
Marcos Alberto Cabaleiro Fernandez — R$ 600 mil
Empresário ligado ao setor financeiro e imobiliário.
Foi um dos fundadores do Banco Inter e está entre os principais doadores individuais registrados pelo TSE.
7.
Sergio Augusto Guerra de Resende — R$ 600 mil
Empresário ligado ao setor automotivo.
Está entre os principais doadores pessoas físicas desta eleição.
8.
Rose Marie Matos Ferreira — R$ 600 mil
Empresária ligada ao grupo Aço Cearense, com atuação no setor siderúrgico e industrial.
9.
Paulo José Gomes de Sales — R$ 550 mil
Nome ligado ao setor de infraestrutura.
10.
Teresa Cristina Ribeiro Ralston Botelho Bracher — R$ 500 mil
Produtora rural e integrante da família Botelho Bracher, tradicional grupo empresarial brasileiro.
Tem doações destinadas a campanhas de candidatas como Tabata Amaral e Simone Tebet.
