Bilionário Bill Ackman faz proposta para comprar Universal Music, maior gravadora do mundo
O bilionário de Bill Ackman fez uma proposta nesta terça-feira para comprar a Universal Music, a maior gravadora do mundo. A oferta envolve dinheiro e ações e avalia a empresa em cerca de € 55 bilhões (cerca de US$ 65 bilhões).
A transação combinaria a Universal, lar de artistas como Taylor Swift, com uma empresa de Ackman criada especificamente para captar recursos e comprar empresas. O bilionário é um dos gestores de hedge funds mais conhecidos do mundo e dono da Pershing Square, que já tem uma fatia na Universal.
Segundo a proposta, os acionistas da Universal receberiam € 5,05 em dinheiro — um total de € 9,4 bilhões — e 0,77 ações da nova empresa para cada ação da Universal que possuírem. Fazendo as contas, isso daria € 30,4 euros por ação — um prêmio de 78% em relação ao fechamento de 2 de abril.
O movimento ocorre em meio ao crescimento explosivo da inteligência artificial, o que alimenta o temor de investidores de que a tecnologia possa reduzir os lucros das poucas grandes gravadoras dominantes e ameaçar seus direitos autorais.
O acordo, se aceito pela Universal, também vai levr à transferência de sua listagem da Bolsa de Amsterdã para a de Nova York.
As ações da Universal, que abriu capital na capital holandesa em 2021 após ser desmembrada do grupo de mídia francês Vivendi, caíram mais de 30% nos últimos seis meses. Nesta terça-feira, os papéis subiam 11%, para € 19, após a oferta feita por Ackman.
A gravadora não respondeu imediatamente à proposta.
Ao anunciar o plano, Ackman afirmou que “o preço das ações da Universal tem permanecido fraco devido a uma combinação de fatores que não estão relacionados ao desempenho do seu negócio musica" e que "todos (esses problemas) podem ser resolvidos com essa transação.”
A busca de Ackman pela Universal vem sendo construída há anos. A Pershing Square adquiriu cerca de 10% de participação da gravadora em 2021.
Ackman entrou para o Conselho de Administração da Universal e se tornou um defensor ativo da empresa, argumentando que a posse de direitos musicais — dos Beatles a Taylor Swift — oferece fluxos de caixa “perpétuos” na era do streaming.
No entanto, as ações da Universal ficaram aquém do desempenho do mercado desde a sua abertura de capital. Ackman vinha pressionando por mudanças, incluindo uma listagem nos EUA para atrair mais investidores e melhorar a liquidez dos papéis da empresa.
Ele deixou o conselho em 2025 e reduziu sua participação, mas continuou argumentando que a Universal está subvalorizada. A proposta de aquisição anunciada hoje é uma tentativa de escalar o valor das ações da gravadora.
Nesta terça-feira, a Pershing, empresa de Ackman, disse que a incerteza sobre o futuro da participação de 18% do grupo Bolloré na Universal vem pressionando sua avaliação de mercado da gravadora.
A Vivendi, controlada pela família Bolloré, detém outros 10% da empresa. E a chinesa Tencent tem 11,4% da Universal.
Analistas da Panmure Liberum disseram que os termos da oferta parecem “em parte desenhados para oferecer uma saída ao grupo Bolloré”. Procurados, nem a família nem a Vivendi retornaram o contato.
A nova empresa seria presidida pelo ex-presidente da Disney, Michael Ovitz. Dois representantes da Pershing teriam cadeira no conselho. A companhia de Ackman acrescentou ainda que a transação está “sujeita a um novo contrato de trabalho e acordo de remuneração” para Sir Lucian Grainge, presidente e CEO da Universal.
Se a proposta for aceita, a Pershing Square investirá € 2,5 bilhões, incluindo recursos levantados com a empresa de Ackman para comprar a Universal.
