Bienal de São Paulo volta a ter curadoria 100% brasileira em sua 37ª edição, em 2027

 

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A Fundação Bienal de São Paulo anunciou nesta terça-feira (28) os nomes dos curadores para a sua 37ª edição, prevista para 2027, no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, no Parque Ibirapuera. Após edições recentes com nomes estrangeiros à frente de seleção da coletiva, contando com equipes multidisciplinares de profissionais brasileiros, a paulistana Amanda Carneiro e o carioca Raphael Fonseca serão os curadores-chefes da próxima Bienal.

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No comunicado divulgado nesta terça-feira, a instituição ressalta que "tem apostado e experimentado diferentes modelos curatoriais, que vão de curadores-chefes internacionais a estruturas coletivas sem hierarquia definida, configurando uma alternância deliberada entre perspectivas externas e vozes enraizadas no Brasil" e que a nomeação de Amanda Carneiro e Raphael Fonseca "assinala um reencontro da instituição com uma tradição curatorial marcadamente brasileira, ao mesmo tempo em que projeta essa tradição em diálogo com debates contemporâneos e circuitos internacionais".

A mais recente edição, de título "Nem todo viandante anda estradas – Da humanidade como prática", teve como curador-geral o camaronês radicado na Alemanha Bonaventure Soh Bejeng Ndikung, junto da equipe formada por Alya Sebti, Anna Roberta Goetz, Thiago de Paula Souza, Keyna Eleison, André Pitol e Leonardo Matsuhei. A 35ª Bienal (2023, "Coreografias do impossível") contou com uma estrutura horizontal composta pela portuguesa Grada Kilomba, o espanhol Manuel Borja-Villel e os brasileiros Diane Lima e Hélio Menezes.

A 34ª Bienal (2020/2021, "Faz escuro mas eu canto") teve o italiano radicado no Brasil Jacopo Crivelli Visconti como curador-chefe, Paulo Miyada como curador adjunto e Carla Zaccagnini, Francesco Stocchi e Ruth Estévez como curadores convidados. Já a 33ª Bienal (2018, "Afinidades afetivas"), teve o espanhol Gabriel Pérez-Barreiro como curador-geral, em um modelo que incluiu sete artistas-curadores: Alejandro Cesarco, Antonio Ballester Moreno, Claudia Fontes, Feliciano Centurión, Mamma Andersson, Sofia Borges e Waltercio Caldas.

Amanda Carneiro é curadora do Masp desde 2018 e, na 60ª Bienal de Arte de Veneza (2024), que teve à frente o diretor artístico do Masp Adriano Pedrosa, atuou como organizadora artística da coletiva. No museu paulistano, foi responsável por mostras monográficas de nomes como Santiago Yahuarcani (2026), Serigrafistas Queer, Beatriz Milhazes (2020-2021) e Sonia Gomes, além de participar de exposições coletivas, como Histórias brasileiras (2022).

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Atualmente vivendo em Portugal, onde é curador de artes visuais da Culturgest, com sedes em Lisboa e no Porto, Raphael Fonseca assina o Pavilhão de Taiwan na 61ª Bienal de Veneza, que terá início em maio. É curador at large de arte moderna e contemporânea latino-americana no Denver Art Museum (EUA) e foi curador-chefe da 14ª Bienal do Mercosul (2025) e cocurador da 22ª Bienal SESC_Videobrasil (2023). Antes de tornar-se curador independente, trabalhou no MAC (Museu de Arte Contemporânea) de Niterói entre 2016 e 2020.

A 37ª Bienal de São Paulo está programada para ocorrer no segundo semestre de 2027, e o projeto curatorial de Carneiro e Fonseca será apresentado no segundo semestre deste ano.