Bianca Monteiro, rainha de bateria da Portela, festeja 10 anos no posto, revela valor de fantasia e origem do apelido Beyoncé do Samba

 

Fonte:


Sambar à frente da bateria é carregar da ponta dos pés ao costeiro da fantasia a responsabilidade de representar uma escola de samba e sua comunidade. Este ano, Bianca Monteiro, da Portela, completa dez anos no posto. A azul e branco de Oswaldo Cruz é a escola de samba mais vitoriosa do carnaval do Rio de Janeiro, com 22 títulos, e a carioca busca fazer jus ao tamanho da agremiação: além da entrega à dança, é fundadora da Oficina Paulo da Portela, iniciativa voltada à valorização da cultura do samba em Madureira, e diretora cultural do Filhos da Água, escola mirim fundada em 2001.

De piloto de jatinho a Mago da Sandálias, quem faz as rainhas brilharem? Viviane Araujo, Virginia Fonseca e mais representantes abrem segredos

Júri elege 'Rainha das Rainhas'': confira quem foi a mais votada em concurso do GLOBO

— Estou com 38 anos. Poder fundar uma oficina, poder fazer aquilo que eu amo, é devolver as pessoas todo o amor, o carinho, tudo o que fizeram por mim. São dez anos à frente da bateria, então a gente acaba também querendo se ver em outro lugar — afirma.

Bianca Monteiro e seus assistentes às vésperas do carnaval

Guito Moreto

O corpo de súditos que a acompanham cresceu na última década. Antes da coroação, três pessoas a acompanhavam. Nos últimos anos, o grupo supera dez pessoas, com direito a pelo menos seis cuidando para que nenhum imprevisto prejudique a evolução. Funcionários e familiares carregam sandália reserva, linha e cola para caso algo aconteça.

— (No passado) era o menino que fazia a maquiagem, o que fazia a roupa, o que fez a fantasia e minha família. Ela ia em peso: meu pai, minhas tias que faleceram, minhas primas, meus primos, era bastante gente — diz a representante da escola cujo enredo é “O mistério do príncipe do Bará – a oração do Negrinho e a ressurreição de sua coroa sob o céu aberto do Rio Grande”.

Fantasias exuberantes: veja spoilers dos figurinos que as escolas de samba do Rio levarão à Sapucaí


Confira dez hábitos e ritos da rainha de bateria da maior campeã do carnaval do Rio:

Rainha-raiz

"Sempre me arrumei em casa (ela mora em Jacarepaguá, na zona Sudoeste do Rio). E para ir para a Sapucaí, peço carro de aplicativo"

Devoção e fé

"Meu primo, Marcio Rocha, é meu babalorixá, meu pai de santo. Ele, que é meu primo, e meu pai estão sempre me acompanhando. Acaba acontecendo tudo muito em família".

Fantasia de 2026

"A fantasia vem mais tradicional, mas que não foge ao sensual. Custou cerca de R$ 20 mil, contando com pena, material, sapato, pena, cabelo, tudo".

Como lida com imprevistos

"Levamos tecido, cola, agulha, tecido, tudo para contornar qualquer imprevisto ali na hora".

Como é a relação do Mestre Vitinho com a rainha de bateria?

"É ele que manda na rainha! Ele montou toda a coreografia, a abertura. Tudo foi ideia dele. Ele teve toda a criatividade. É 100% ele. Eu trago a dança e a minha performance".

O que não pode faltar no dia do desfile?

"No dia, faço massagem relaxante, drenagem... É o dia em que gosto de ouvir meu Djavan, de estar mais concentrada, com a cabeça focada, mais tranquila".

Fez procedimentos para harmonizar o bumbum?

"Senti muita dúvida e preferi ficar com meu bumbum natural, que é meu. E fiz bastante drenagem para tirar celulite".

Como são as abordagens a uma rainha de bateria?

"Acho que as pessoas têm medo da rainha de bateria. As pessoas têm medo. Não sofro assédio e nem abuso de homens. As pessoas falam coisas para brincar, como me chamar de Beyoncé do Samba. Esse apelido caiu na boca do povo. Acho que por conta do cabelo também. Mas nada ofensivo. É interessante como as pessoas me protegem, me guardam e têm cuidado grande com a minha imagem. Fico muito feliz de fazer parte dessa comunidade tão potente e tão forte".

Bianca Monteiro é a rainha de bateria da Portela

Reprodução / Instagram e Eduardo Hollanda / Rio Carnaval / Divulgação