Adversários na disputa ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) defenderam a proibição das bets no Brasil. Na noite desta segunda, o atual governador disse que “ou o Brasil acaba com a bet, ou as bets acabam com o Brasil”, e nesta terça-feira o ex-ministro da Fazenda defendeu “discutir seriamente proibir esse negócio”.
Eleição em SP: Motorista de Haddad sustenta relato de intimidação em depoimento à polícia, que alega contradição de horários Como as leis que permitem a exploração desses jogos eletrônicos de aposta no Brasil é federal, somente o Congresso Nacional e o presidente da República poderiam proibi-lo. Haddad reconheceu que a questão não é de alçada estadual, mas ponderou que, se eleito, não vai licenciar novas atividades desse tipo no estado. Já Tarcísio falou sob a perspectiva de investir em saúde mental para tratar o vício em jogos, medida que inclusive é mencionada em sua proposta de governo apresentada à Justiça Eleitoral. — Será que nós vamos conseguir ser efetivos para livrar as pessoas das bets? Talvez os desafios agora sejam maiores do que eram os desafios do tabaco outrora. (...) Para para pensar, 30%, 40% da renda do brasileiro está comprometida com banco, com juros, com consignado. Outros 20%, 25% estão comprometidos com bets. As empresas estão investindo em terapia para os seus funcionários, porque isso está drenando produtividade. Ou o Brasil acaba com a bet, ou a bet acaba com o Brasil — falou Tarcísio durante evento promovido pelo Sindicato dos Hospitais, Clínicas e Laboratórios do estado de São Paulo (SindHosp), na noite desta segunda. No plano de governo, Tarcísio incluiu um tópico dedicado à saúde mental, no qual promete adotar "iniciativas multissetoriais de atendimento dos pacientes, sobretudo em contexto de dependência química e de jogos".
Já Haddad comentou sobre o tema durante sabatina da Jovem Pan News na manhã desta segunda, quando citou que a liberação desse tipo de jogos foi feita durante o governo Michel Temer (MDB) e criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pela falta de regulamentação. — Se eu estivesse nos governos anteriores, não teria deixado prosperar os jogos. Eu não acho nenhum jogo bom, eu acho todos ruins. Sobretudo o jogo eletrônico, que tem um algoritmo de vício. Eu acho que nós temos que discutir seriamente proibir esse negócio — falou. — Não tem como proibir num estado, se ele está aprovado nacionalmente, ele vai atuar aqui. O que você pode é criar jogos adicionais no estado, e no que depender de mim, eu sou contra.
Indagado porque o governo Lula regulamentou os jogos, ele justificou que era preciso criar regras para a atividade, que já era permitida, e cobrar impostos. — Eu acho que não vale a pena ter bet, acho que o Temer errou, o Bolsonaro errou. Agora o Ministério da Fazenda não pode deixar uma atividade legalizada sem a tributação devida. Porque todo mundo paga imposto, e esse país viveu quatro anos do governo Bolsonaro sem cobrar imposto de bet e deixando correr solto. Criança apostava em bet, beneficiário de programas sociais apostava em bet — acrescentou.
O Globo