Bessent diz que EUA podem conceder isenções específicas por país para compra de petróleo russo
O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou nesta quinta-feira que futuras autorizações para que países comprem petróleo da Rússia poderão ser concedidas de forma individualizada, país por país, em vez de serem aplicadas de maneira ampla.
— Minha forte inclinação é que, se houver novas isenções, elas sejam específicas para determinados países e não generalizadas — disse Bessent nesta quinta-feira, durante depoimento perante o Comitê de Meios e Recursos da Câmara dos Representantes. — A Federação Russa viu muito pouca receita adicional por causa dessas isenções. O petróleo deles já estava indo para a China, e agora pode ser vendido aos nossos aliados.
Os comentários foram feitos durante uma troca de perguntas com o deputado Brian Fitzpatrick, republicano da Pensilvânia, que pediu ao secretário que explicasse a justificativa para a emissão sucessiva de isenções que excluem o petróleo russo transportado por via marítima das sanções americanas, em meio à guerra na Ucrânia.
Fitzpatrick afirmou que muitos parlamentares em Washington vêm trabalhando para deixar “inequivocamente claro que a campanha ilegal de agressão da Rússia não será normalizada nem recompensada”. Ele mencionou um projeto de lei apresentado no ano passado por ele e outros congressistas para impor tarifas de 500% sobre importações russas para os Estados Unidos, bem como sobre qualquer país que ajude a Rússia a continuar a guerra por meio de apoio econômico.
— É preciso dar um passo atrás e pensar: vocês estão dispostos a impor uma tarifa de 500% sobre a China? — respondeu Bessent. — Porque tudo o que ouvi — especialmente do outro lado, mas também de muitos do nosso lado — é que tarifas geram inflação. Eu não acredito nisso. Mas uma tarifa de 500% é, na prática, um embargo.
O secretário do Tesouro também defendeu seu apoio à Ucrânia, citando uma visita que fez a Kyiv em 2025. Além disso, criticou o governo do ex-presidente Joe Biden por não ter adotado uma postura mais dura em relação à Rússia.
Segundo Bessent, países mais vulneráveis solicitaram a extensão da isenção original durante reuniões do Fundo Monetário Internacional e do Banco Mundial realizadas no início deste ano.
Após a audiência, Fitzpatrick afirmou, em uma breve entrevista, que Bessent pareceu “um pouco defensivo” durante a discussão e acrescentou que pretende voltar a conversar com o secretário sobre eventuais planos de novas isenções.
— É praticamente consenso que o único fator capaz de dissuadir Putin são sanções econômicas sufocantes, que exerçam pressão econômica sobre a agenda doméstica e sobre a população do país — disse Brian Fitzpatrick. — É uma pergunta legítima a se fazer sobre a concessão dessa isenção, dada a situação atual.
