Benny Briolly entrega atestados para 75 dias após pedido de cassação por faltas na Câmara de Niterói

Benny Briolly entrega atestados para 75 dias após pedido de cassação por faltas na Câmara de Niterói

 

Fonte: Bandeira



A vereadora Benny Briolly (PT) apresentou três atestados que, juntos, determinam 75 dias de afastamento para explicar à Mesa Diretora da Câmara as 33 faltas sem justificativa registradas pelo próprio sistema da Casa Legislativa entre fevereiro e outubro do ano passado. Os documentos fazem parte da defesa da parlamentar diante do pedido de perda de mandato protocolado por Allan Lyra (PL). Quando o caso veio à tona, em dezembro do ano passado, a vereadora alegou que as ausências ocorreram em razão do cumprimento de agendas externas como representante oficial da Câmara. Benny, que à época das faltas ainda integrava o PSOL, apresentou dois atestados de 30 dias cada e um determinando 15 dias de afastamento.

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O vereador do PL afirma que acionou a Mesa Diretora com base na Lei Orgânica de Niterói, que prevê a perda de mandato para parlamentares que faltarem a um terço das sessões ordinárias sem doença comprovada. Segundo documento da própria Mesa Diretora anexado ao processo, a Câmara realizou 99 sessões ordinárias em 2025. O mesmo documento aponta que as ausências não foram justificadas durante o período legislativo citado. Allan Lyra salienta que os atestados foram apresentados oito meses após as faltas e em ano legislativo posterior. E que os documentos não contêm o código da Classificação Internacional de Doenças (CID).

— A Lei Orgânica é muito clara ao exigir doença comprovada para justificar ausência em sessões ordinárias, e os documentos apresentados sequer possuem CID. Para piorar, durante períodos contemplados pelos próprios atestados, a vereadora apareceu em manifestações políticas e até em festa sambando. Tudo divulgado nas redes sociais. Qualquer trabalhador brasileiro sabe que afastamentos prolongados normalmente geram licença formal e até encaminhamento ao INSS. No caso de um parlamentar, 75 dias de afastamento impactam diretamente o funcionamento da Câmara. Se havia realmente necessidade de um afastamento tão longo, o caminho correto seria uma licença formal, sem remuneração, permitindo inclusive a convocação do suplente para não prejudicar os trabalhos legislativos — defendeu.

Sobre a convocação de suplente, a Câmara Municipal indica que, em caso de afastamento superior a 30 dias, outro parlamentar deve ocupar temporariamente a cadeira no Legislativo. Procurado para comentar se foi oficialmente notificado pela vereadora sobre o assunto, o PSOL Niterói não respondeu ao contato da reportagem.

O que diz Benny

Em nota, a vereadora Benny Briolly afirmou que é raro “se ver 21 vereadores em sessão” e declarou que colegas justificam faltas apenas verbalmente, sem apresentar qualquer documento. A parlamentar acrescentou que todas as ausências nas sessões plenárias estão legalmente justificadas e que não apresentou nenhum atestado superior a 15 dias que exigisse formalização junto a outra instituição além da Câmara Municipal.

“Mesmo em recuperação, segui em algumas agendas importantes por compromisso com o povo e com a minha militância”, diz trecho da nota.

No primeiro atestado, de 15 dias, com data de 24 de junho, o cirurgião plástico Luiz Lima atesta que a vereadora foi submetida a cirurgia para tratamento de cicatriz. Já o segundo, de 31 de julho, afirma que a parlamentar passou por cirurgia mamária e crural (região da coxa). E no último, de um mês depois, o atestado é para tratamento de ferida na área operada anteriormente.

AO GLOBO-Niterói, Luiz Lima disse que Benny precisou de repouso específico, mas garantiu que não houve intercorrência inesperada e tudo correu dentro do previsto.

— O que ela precisou foi de repouso, curativo, medicação prescrita e acompanhamento ambulatorial semanalmente. Ela teve um intercorrência normal, já esperada, nada grave. Isso exigiu mais cuidado e repouso — explicou.

Uma reunião entre os integrantes da Mesa Diretora da Câmara está marcada para a próxima segunda-feira (25), quando a situação de Benny deverá ser discutida. Apesar do movimento interno, fontes ouvidas pela reportagem acreditam que dificilmente a cassação sairá pela Câmara. Há o entendimento que o caso deve ser resolvido na Justiça.

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