Benjamin Steinbruch deixa presidência da CSN e Fabio Schvartsman, ex-Vale, será CEO - QTU Questões do Universo

Benjamin Steinbruch deixa presidência da CSN e Fabio Schvartsman, ex-Vale, será CEO

Fonte: Bandeira da fonte

Benjamin Steinbruch, CEO e controlador da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), está deixando a presidência do negócio, comunicou a empresa em fato relevante nesta quarta-feira (2).
Quem assume o cargo, já a partir desta quinta-feira, é Fabio Schvartsman, que foi presidente da Vale entre 2017 e 2019.

A passagem de Schvartsman pela mineradora ficou marcada pelo rompimento da barragem de Brumadinho, em janeiro de 2019, do qual o executivo é um dos réus em processo criminal.

Antes disso, Schvartsman foi diretor-geral da Klabin, de papel e celulose, por seis anos, e fez carreira no grupo Ultra, de energia, infraestrutura logística e mobilidade, onde ficou por 22 anos em cargos executivos.
Após a saída da Vale, passou a integrar o conselho da Vibra, distribuidora de combustíveis e energia.

Steinbruch, de 73 anos, que passou 25 deles como CEO da CSN, vai presidir o conselho de administração da companhia.

O atual CEO afirma que a sucessão já era pensada há pelo menos três anos.
“Tive a oportunidade de conversar com o Fabio há uns cinco meses e achei que era a pessoa indicada para assumir essa posição”, afirmou ao Valor.
Segundo Steinbruch, ele tem “experiência, vivência e consistência executiva” para ocupar o cargo.

A troca na direção da CSN acontece em meio a um processo de venda de ativos, para desalavancar o grupo.
A CSN deve receber ainda nesta semana as ofertas vinculantes para uma fatia do seu negócio de infraestrutura, afirma Steinbruch, acrescentando que as propostas devem “surpreender em número e qualidade”.
A empresa planeja vender de 20% a 30% do segmento.

A companhia também já recebeu, em agosto, propostas para a venda da CSN Cimentos, que “estão seguindo o cronograma” esperado pela empresa, de acordo com o CEO.
O Valor já apurou que o negócio de cimento foi avaliado em R$ 12 bilhões.

As ações da CSN subiram 7% e lideraram as altas do Ibovespa na última terça-feira (1), com a expectativa de que um anúncio fosse feito sobre o negócio de cimentos.
O papel voltou a subir nesta quarta-feira, em 4,18%, fechando o dia a R$ 5,98.

Steinbruch avalia que sua saída da direção da companhia, e a chegada de Schvartsman, serão vistas com surpresa pelo mercado, mas de forma positiva.
“Muita gente tinha preocupação com essa questão da sucessão”, diz.
Ainda de acordo com ele, a empresa passa por um momento de “mexida importante” em seus negócios, rentabilidade, investimentos e liquidez, e a vinda de um executivo de fora do grupo ajuda a trazer uma “visão mais pragmática” ao negócio.

“Fiquei com muito amor a todos os ativos que a gente fez, em empresa familiar industrial.
Eles parecem filhos da gente”, afirma, comparando a CSN Cimentos a um “filho mais novo”.
A expectativa é que Schvartsman faça as negociações andarem “mais rápido e melhor”.

As vendas são esperadas como forma de reduzir o endividamento do grupo industrial, que fechou o segundo trimestre com R$ 42,1 bilhões de dívida líquida, alta de 18% em um ano.
A alavancagem, medida pela relação entre dívida líquida e Ebitda, ficou em 3,49 vezes, ante 3,24 vezes no mesmo período de 2025.

Em relatórios, analistas apontaram indicadores operacionais positivos no trimestre, mas há a ressalva sobre o endividamento.
Analistas do BB Investimentos classificaram o fator como “o principal ponto de atenção para a tese”.

No conselho da CSN, Steinbruch pretende se dedicar à estratégia e ao desenvolvimento de novos negócios.
Fora do grupo, também quer trabalhar “mais a sério” com agronegócio, algo que conta gostar e que pensava que seria sua carreira, antes de migrar para a indústria.

Outro motivo para sua saída é a vontade de estar mais próximo da família — “tive cinco netos em 14 meses, veio tudo junto”, afirma.
“Quero poder ter uma convivência diferente [com eles], mais calma, do que tive com meus filhos.”

Questionado sobre o processo acerca do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho e o possível impacto que isso teria para a CSN, com Schvartsman como seu novo CEO, Steinbruch destacou confiar no executivo.
“É uma das pessoas mais bem preparadas que conheço, um homem honesto, franco e correto.
Um executivo brilhante com uma capacidade de trabalho incomum”, afirma.

Em agosto, decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) indeferiu um recurso feito pela defesa do ex-presidente da Vale para tirá-lo da lista de réus do processo criminal, que envolve a acusação por homicídio duplamente qualificado, além de crimes ambientais.
Na ocasião, 272 pessoas morreram.

Schvartsman foi procurado pelo Valor, mas não comentou.

“Entendo a dor de todos que perderam alguém em Brumadinho e sou solidário a todos eles.
E tenho certeza de que Fabio voltará a provar sua inocência, como já fez em 2024, quando a Justiça havia encerrado a ação contra ele”, afirma Steinbruch.
Em abril deste ano, uma decisão do STJ voltou a implicar Schvartsman entre os réus, o que foi reforçado com a decisão de agosto.