Benedita Casé estreia como atriz no teatro e no cinema e diz que enfrentou os próprios preconceitos por ser uma mulher surda

 

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Nascida em uma família de artistas, Benedita Casé, de 36 anos, nunca se sentiu confortável em frente às câmeras. Seu lugar, acreditava, era nos bastidores, onde trabalha, com afinco, como diretora e produtora. A insegurança da filha da atriz Regina Casé e do artista visual Luiz Zerbini tinha a ver com sua deficiência auditiva, revelada ao público em 2019. “A gente acredita em muito do que ouve, a nossa autoestima também é construída por aí. Escutava que falava estranho, que minha língua era presa”, conta. “Cresci com esses fantasmas, e demorei para falar sobre isso. Nunca achei que pudesse dar certo como atriz, mas fui criando coragem.”

A atriz Benedita Casé

Ana Branco

Agora, sente-se mais do que pronta para os palcos e, em breve, para o cinema. No dia 9 de maio, estreia o monólogo “Surda”, no teatro Poeirinha, em Botafogo, e ainda este ano poderá ser vista no filme “90 decibéis”, em um elenco majoritário de atores com deficiência. Os dois trabalhos foram escritos e roteirizados por Júlia Spadaccini, que também tem deficiência auditiva, e retratam o dia a dia de uma mulher com surdez. “As histórias têm muitas semelhanças comigo, porque sou surda e oralizada”, observa Benedita. “No teatro, teremos legendas eletrônicas, libras, todo tipo de acessibilidade. Estou feliz da vida e realizada por ter Benedita em cena”, comenta Júlia. Para Regina Casé, o trabalho da filha é fruto de sua empatia, observação silenciosa e sagaz do outro. “E de seu amor e compaixão, o que é a maior e mais bonita qualidade que uma atriz pode ter. Imagine o meu orgulho!”

Mãe de Brás, de 8 anos, da união com o fotógrafo João Pedro Januário, de quem se separou recentemente, Benedita está vivendo uma nova configuração familiar. “O João Pedro ocupava um pouco esse lugar de segurança, de ter alguém em casa. Mas hoje eu e Brás aprendemos muito um com o outro”, explica a atriz. A maternidade, ressalta, continua trazendo novas lições. “É uma troca genuína, porque a criança não julga. Ela fala o que sente, e isso é muito importante. Brás sabe como conversar comigo, quando falar mais agudo ou mais grave. Isso ensina muito sobre inclusão”, finaliza Benedita.