Bella Campos lembra depressão e conta que trata 'abandono imenso' da mãe na terapia; assista à entrevista

 

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Quando Bella Campos tinha dois anos, sua mãe se mudou para a Itália em busca de trabalho. A atriz foi morar com a avó. A atriz sempre lidou bem com essa história, mas desde que passou a fazer terapia, se deu conta que o afastamento deixou marcas profundas. Bella contou à repórter Maria Fortuna, durante participação no videocast do GLOBO 'Conversa vai, conversa vem', disponível no Youtube e no Spotify, que vem trabalhando questões familiares no divã. Leia o trecho abaixo:

Em cinco anos saiu de balconista de um café a protagonista de novela. Como ficou a cabeça?

Tive depressão na época de "Vai na fé". Não estava preparada para o volume de trabalho. Era uma demanda tão intensa que falei: "Se esse for o símbolo de sucesso, acho que vou procurar uma outra coisa" e fiquei anestesiada. Não conseguia sentir felicidade, raiva, tristeza. Não conseguia comer. Quando fui para Cuiabá, rodar "Cinco vezes medo", me reconectei com minhas raízes, encontrei uma outra maneira de fazer o trabalho. Ficar com a minha família foi essencial. Terapia virou essencial na minha vida. Tem semanas que faço três vezes.

Luana Piovani. 'Sou evangélica macumbeira', diz atriz

Bella Campos

Ana Branco

Que questões está trabalhando agora na análise? Tinha dois anos quando sua mãe se mudou para a Itália em busca de trabalho. Ok, necessidade, mas na prática deve ter sido um vazio danado...

Estou trabalhado família, infância. A relação familiar com os pais vai se mostrando muito na vida adulta. Estou encontrando esse buraco agora. A vida inteira sempre falei: "Minha mãe foi muito incrível, foi lá, fez, e aconteceu". Depois de me ouvir falar assim publicamente e de me encontrar com essa criança internamente... Ela me falou: "Mona, não. Não está tudo bem". Comecei a dar espaço para essa criança me falar o que sentiu de fato. E ela sentiu um abandono imenso que fez com que eu me constituísse nesta mulher autossuficiente, que dá conta, se resolve, se defende, se posiciona. Mas existe um limbo onde os sentimentos ficaram aprisionados. É muito importante que a gente expresse a nossa raiva. Ela tem um papel importantíssimo no nosso desenvolvimento, inclusive social. Esse direito tem que ser dado, inclusive para mulheres. Muitas vezes, ao demonstrarmos nossa insatisfação, somos colocadas num lugar estereotipado, quando, na verdade a gente sabe que, estruturalmente, não é a gente que causa guerras, não somos nós que estamos matando os homens como os homens estão matando as mulheres.

Bella Campos e Maria Fortuna na redação de OGLOBO

Ana Branco

Quando sua mãe partiu, foi morar com sua avó, que já era idosa e precisou cuidar dela. A autossuficiência seria uma consequência da necessidade de amadurecimento precoce?

Sim, total. Tô cuidando dessa criança que teve que ser tão adulta. Não tive infância nem adolescência, e agora não querem que eu tenha a juventude da vida, recém-adulta. Mas a autossuficiência acabou ficando pesada. Ainda mais agora que tenho uma carreira com uma demanda gigantesca... Amo me vestir, então, monto meu look, sei me maquiar, me maquio, aprendi a dirigir, sou sozinha, faço a minha própria comida... De repente, pensei: "Por que tô fazendo tudo isso sozinha? Posso pedir ajuda. Tô aprendendo, mas também amo ser autossuficiente, porque na hora que o calo aperta, tenho é a mim mesma.