Bella Campos conta o que foi fundamental para realizar transição capilar e revela aspectos da construção de sua autoestima

 

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Bella Campos falou sobre transição capilar no "Conversa vai, conversa vem", videocast do jornal OGLOBO, que vai ao ar nessa segunda-feira (27). Em entrevista à jornalista Maria Fortuna, Bella, que acaba de cortar o cabelo bem curto, lembrou os tipos de comentário que a faziam alisar os cachos na adolescência e também o que foi fundamental para dar a virada a assumir as ondas naturais. A atriz falou ainda sobre outros aspectos da construção de sua autoestima e da felicidade em poder representar sua personagem no filme "Cinco tipos de medo". No longa, rodado em Cuiabá, Mato Grosso, cidade onde nasceu, ela interpreta a enfermeira Marlene. Leia abaixo:

Como foi a construção da sua autoestima, algo que você ajuda a fazer em muitas meninas hoje? Cabelo foi uma questão para você?

Sim. O cabelo já passou por questões fortíssimas. Na minha infância, todas as mulheres da minha casa e ao meu redor alisavam o cabelo. Queria ter o cabelo liso. Comecei a alisar e quando chegava na escola, diziam: "O seu cabelo está muito mais bonito". Pensava: "Então, vou ser assim". Tinha miopia, usava óculos fundo de garrafa, sempre fui magricela, tinha um estereótipo de uma garota nerd e queria fugir disso. E era a través do cabelo. Depois de um tempo, vieram blogueiras, falando dos cabelos cacheados e comecei a fazer a minha transição. Foi ótimo e sou muito feliz. Hoje, minha irmã de 15 anos tem o cabelo cacheadão enorme. Ela amar o cabelo dela para mim é a maior vitória. Quando isso passa para o grande público... Ver mulheres mais velhas, adultas e crianças reproduzindo o corte da Maria de Fátima, é algo que preenche muito o meu coração.

Bella Campos

Ana Branco

Qual é o poder da mulher que sabe o seu valor, se gosta, se cuida? O céu é o limite?

É. Por isso que não querem que a gente saiba o quão bom é isso, querem nos insegura. Porque no momento em que a gente se sente segura, a sociedade machista começa a se abalar. A estrutura que constrói essa insegurança sobre nossos corpos, a magreza, a pele, o cabelo. Querem fazer a gente gastar tempo precioso com essas coisas enquanto podíamos estar fazendo coisas que alimentam a nossa alma. Querem ocupar a nossa cabeça com esse tipo de pressão estética para que a gente não tenha tempo de pensar politicamente. Nas últimas eleições, fiz uma pesquisa que falava o quanto as mulheres são as que mais vão às urnas e como a gente só elege homens na maioria, entendeu? Porque não estamos debatendo sobre isso?

Bella Campos

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