Belém tem áreas com risco de inundação equivalentes a mais de 2.700 campos de futebol
Belém possui 1.968 hectares com probabilidade de ocorrência de inundações, alagamentos e enxurradas. Este risco se intensifica durante o inverno amazônico e atinge diversos bairros da capital paraense.
A área vulnerável equivale a cerca de 2.700 campos de futebol. O risco dessas áreas mapeadas está classificado em muito alto (64%), alto (21%) e médio (15%). O levantamento foi feito pela plataforma gratuita Natureza ON, da Fundação Grupo Boticário de Proteção à Natureza, MapBiomas e Google Cloud.
Recentemente, a base governista na Câmara Municipal de Belém aprovou uma mudança na composição do Comitê Gestor de Riscos e Desastres do município, retirando a participação da sociedade civil, da Universidade Federal do Pará (UFPA) e do Serviço Geológico do Brasil (SGB). A UFPA era representada por órgãos como o Instituto de Geociências, o Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea) e o Núcleo de Meio Ambiente (Numa).
As análises e soluções visam mitigar riscos e adaptar as cidades a um novo cenário climático, marcado pela intensificação de chuvas extremas, vendavais e períodos prolongados de estiagem. (Imagem: Plataforma Natureza ON)
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Desafios e Soluções Baseadas na Natureza
A plataforma combina mapas, dados públicos e estatísticas oficiais para identificar riscos de eventos climáticos extremos. Além de apontar áreas vulneráveis, ela indica alternativas sustentáveis que usam a própria natureza como solução.
André Ferretti, engenheiro florestal e gerente de Economia da Biodiversidade da Fundação, comenta a situação. Ele afirma que enfrentar os alagamentos em Belém exige ir além das soluções tradicionais de drenagem e engenharia.
Ferretti destaca a importância de combinar obras de infraestrutura convencional com Soluções Baseadas na Natureza. Estas soluções aproveitam a capacidade dos ecossistemas naturais de absorver e regular os fluxos d’água.
O especialista aponta a recuperação de manguezais, a criação de áreas verdes e a requalificação de canais urbanos. Estas medidas devem ajudar a cidade a funcionar como uma esponja, reduzindo riscos e aumentando a resiliência.
“Quando integramos essas estratégias, conseguimos respostas mais eficientes, duradouras e alinhadas à realidade climática da região”, explica Ferretti.
Apesar do cenário urbano ser cada vez mais amplo, algumas soluções poderiam ser parques e praças multifuncionais; alagados construídos; arborização urbana; jardins filtrantes; parques de bolso e vagas verdes; telhado verde; e biovaletas. (Imagem: Plataforma Natureza ON)
Para tornar a capital paraense mais resiliente a inundações, a principal Solução Baseada na Natureza (SBN) indicada é a implementação de lagoas pluviais.
Estas lagoas ou bacias de retenção “são estruturas capazes de receber, armazenar e liberar lentamente a água da chuva”, explica Ferretti. Elas reduzem picos de vazão, alagamentos e melhoram a qualidade da água.
Ocupação do Solo e Recomendações Urbanas
Os mapas da plataforma são gerados combinando dados oficiais sobre relevo, rios e variáveis ambientais. Eles também incluem informações sobre a ocupação urbana, identificando áreas suscetíveis a inundações.
A plataforma mostra que 55% da área do município é formada por rios, lagos e baías. A formação florestal corresponde a 18% do território total.
A área urbana ocupa cerca de 14% dos limites do município. Para tornar o trecho urbanizado mais resiliente às mudanças climáticas, são recomendadas as seguintes Soluções Baseadas na Natureza:
Parques e praças multifuncionais
Alagados construídos
Arborização urbana
Jardins filtrantes
Parques de bolso e vagas verdes
Telhado verde
Biovaletas
Ferretti aponta que, em áreas de maior densidade urbana, o solo é impermeabilizado e a drenagem é ineficiente. Isso torna os impactos das chuvas intensas mais evidentes.
A água, que antes seria absorvida pela vegetação e pelo solo, escoa rapidamente pelas ruas. Isso aumenta o risco de alagamentos e carrega poluição para os canais urbanos.
“Esse cenário reflete um processo de urbanização que reduziu as áreas naturais e alterou o funcionamento dos ecossistemas, com efeitos diretos na qualidade de vida da população”, conclui Ferretti.
