A Prefeitura de Belém tem um conjunto de ações planejadas para enfrentar eventos climáticos extremos, como o aumento das temperaturas e as chuvas intensas. Entre as medidas estão a ampliação de áreas verdes, o plantio de árvores, a criação de jardins de chuva e a preparação de escolas para períodos de calor intenso. As iniciativas fazem parte do programa Belém Mais Verde, coordenado pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), e estão relacionadas ao Plano Municipal de Enfrentamento ao El Niño.
Segundo Bárbara Paiva, assessora técnica da Semma e doutoranda em Ciência e Desenvolvimento Ambiental pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea), da Universidade Federal do Pará (UFPA), o objetivo é reduzir os efeitos das mudanças climáticas e melhorar a qualidade de vida da população.
“Belém está munida de um programa bem integrado, que visa diminuir essas incidências de calor extremo no município. Nós somos um dos municípios menos arborizados do Pará e do Brasil. Então, estamos com a missão de vir com um programa bem forte para que possamos enfrentar essa vulnerabilidade diante das mudanças climáticas”, explicou.
Segundo Bárbara Paiva, assessora técnica da Semma e doutoranda em Ciência e Desenvolvimento Ambiental pelo Núcleo de Altos Estudos Amazônicos (Naea), da Universidade Federal do Pará (UFPA), o objetivo é reduzir os efeitos das mudanças climáticas e melhorar a qualidade de vida da população. (Foto: Carmem Helena | O Liberal)
Arborização e redução de alagamentos
O programa Belém Mais Verde reúne diferentes iniciativas para ampliar a vegetação e ajudar a cidade a enfrentar os efeitos das altas temperaturas. Entre elas estão a criação de microflorestas, a reposição de árvores, a implantação de corredores verdes e os sistemas agroflorestais desenvolvidos em escolas municipais. A prefeitura também trabalha com a perspectiva de criar hortas comunitárias.
Outra frente envolve medidas para facilitar a absorção da água da chuva pelo solo e reduzir alagamentos e inundações. Nesse grupo estão os jardins de chuva, os poços de infiltração e as biovaletas, estruturas que ajudam a direcionar e absorver a água.
Para Bárbara, o plantio de árvores é uma das principais formas de adaptar a cidade ao aumento das temperaturas. Além de oferecer sombra, a arborização contribui para amenizar o calor e melhorar as condições ambientais dos espaços urbanos.
Bairros mais quentes estão no planejamento
O município também conta com um Plano Local de Ação Climática, que reúne estudos sobre os riscos e as áreas mais vulneráveis às mudanças do clima. De acordo com a assessora técnica, o documento inclui análises sobre o calor e permite identificar os bairros que precisam de mais atenção.
“Dentro desse plano existem vários diagnósticos e estudos, e entre eles há uma análise de risco de calor. Então, nós sabemos quais são os bairros mais quentes e como podemos fazer nossa estratégia de enfrentamento para reduzir o calor”, afirmou.
Segundo Bárbara, os bairros periféricos estão entre as áreas que exigem atenção, principalmente aqueles com pouca arborização. A falta de árvores e de espaços com sombra aumenta a exposição dos moradores às altas temperaturas.
Acolhimento de pessoas vulneráveis
O planejamento também prevê atenção às pessoas mais vulneráveis durante períodos de calor extremo, como quem vive em situação de rua e moradores de áreas periféricas que não têm acesso a ambientes bem ventilados ou climatizados.
Bárbara citou a Casa Rua e os Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) como estruturas que podem contribuir para o acolhimento da população durante períodos de maior risco. A proposta é oferecer locais ventilados, água para hidratação e atendimento de saúde quando necessário.
A assessora alertou ainda para os riscos do golpe de calor, uma condição grave em que o organismo não consegue controlar adequadamente a própria temperatura. Em ambientes quentes e úmidos, o corpo pode ter dificuldade para eliminar o calor, o que pode provocar complicações graves e até levar à morte.
Por isso, ela recomenda que as pessoas procurem locais frescos e arborizados nos períodos mais quentes do dia. Ambientes fechados e ventilados também podem ajudar a reduzir a exposição ao calor intenso.
O plano inclui ainda orientações para que os moradores adaptem suas casas e adotem medidas para diminuir a temperatura dos ambientes, além das ações previstas para o poder público.
Escolas terão medidas de prevenção
As escolas municipais também fazem parte do planejamento de enfrentamento ao calor. Segundo Bárbara, a Secretaria Municipal de Educação realizou um levantamento para identificar as unidades mais vulneráveis, verificar a necessidade de manutenção de reservatórios de água e apontar escolas que precisam de melhorias para reduzir as temperaturas.
Outra medida prevista é a adequação das atividades escolares durante os períodos de maior risco. Quando houver alertas de calor intenso, os horários das aulas poderão ser ajustados, assim como o calendário escolar. Atividades físicas que exponham os alunos às altas temperaturas também poderão ser suspensas.
A preparação inclui o reconhecimento dos sinais de alerta, como tontura, dor de cabeça e mal-estar, para que os casos sejam identificados e recebam atendimento prioritário.
O planejamento foi desenvolvido com a participação de diferentes secretarias municipais e órgãos parceiros, que elaboraram medidas de acordo com as necessidades de cada área. A Secretaria de Defesa Animal também trabalha em estratégias voltadas à proteção dos animais, com previsão de apoio em abrigos e estruturas móveis.
Cuidados ajudam a prevenir problemas de saúde
Além das medidas do poder público, Bárbara destaca que a população precisa adotar cuidados para enfrentar os períodos de calor intenso. Entre as recomendações estão beber água regularmente, usar roupas leves, preferencialmente claras, e evitar a exposição prolongada ao sol.
A assessora técnica da Semma, também orienta a reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, que favorecem a desidratação, e a manter atenção especial a idosos que vivem sozinhos, pessoas com dificuldades de acesso a ambientes frescos e animais em situação de rua.
“Não adianta só a gestão fazer esses incentivos se a pessoa não fizer por ela, mas também pelos seus vizinhos. É importante procurar os idosos que moram sozinhos e dar suporte. Diante da vulnerabilidade da crise climática, é importante que a gente se una e trabalhe em conjunto para conseguir amenizar esse evento”, concluiu.
O Liberal