Belém: plantas ornamentais vão de R$ 20 a R$ 1 mil e demanda cresce em períodos mais quentes

 

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A transição do chamado “inverno amazônico” para o período menos chuvosa em Belém tem impacto direto no mercado de plantas ornamentais, mudas e insumos, influenciando desde a escolha das espécies até os custos de manutenção. Com menos chuvas e temperaturas mais elevadas, cresce a busca por plantas mais resistentes ao calor e que demandem menos cuidados, ao mesmo tempo em que produtores e lojistas ajustam estratégias diante das variações de preço e da demanda.


O agrônomo Daniel Santos afirma que cróton, papoula e bougainvillea vão bem ao sol; filodendros e marantas preferem sombra ou meia-sombra (O Liberal/ Thiago Gomes)


De acordo com a paisagista Nathalia Haber, a preferência dos consumidores tende a recair sobre plantas perenes, que apresentam maior durabilidade e conseguem se adaptar às mudanças climáticas ao longo do ano. “Com os cuidados adequados, essas plantas se adaptam bem às variações entre períodos chuvosos e mais secos, mantendo sua vitalidade”, explica. Entre as mais procuradas estão espécies tradicionais, como samambaias e jiboias, além de opções do paisagismo contemporâneo, como moreias e jabuticabeiras.


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Ela destaca ainda a valorização de plantas tropicais típicas da região amazônica, como guaimbé, costela-de-adão e trapoeraba, que vêm ganhando espaço inclusive fora do Brasil. Já o agrônomo Daniel Santos aponta que, no período mais quente, os consumidores priorizam espécies de baixa manutenção. “Zamioculca, espada e jiboia se destacam porque podem ficar até uma semana sem água sem sofrer danos irreversíveis”, afirma.


Para ambientes externos, plantas como cróton, papoula e bougainvillea apresentam bom desempenho sob sol pleno, enquanto espécies como filodendros e marantas são mais indicadas para ambientes internos ou de meia-sombra.


Fatores que influenciam nos preços 


Os preços das plantas e insumos variam ao longo do ano, influenciados por fatores como clima, logística e oferta e demanda. Nathalia Haber destaca que “essas variações estão ligadas a fatores produtivos e logísticos”, ressaltando que o transporte na região amazônica encarece o produto final.


Nathalia alerta que adubações pesadas podem estressar as plantas e recomenda o uso de compostos orgânicos, além da observação do solo (Arquivo pessoal/Nathalia Haber)


Segundo os especialistas, espécies mais comuns e de menor porte podem custar entre R$ 20 e R$ 30, enquanto plantas maiores ou mais desenvolvidas chegam a valores entre R$ 200 e R$ 300. Já itens considerados raros ou de colecionador, como algumas variedades de costela-de-adão, podem ultrapassar R$ 1 mil. “Quanto maior a procura, o mercado tende a aumentar o valor”, resume Daniel Santos.


Os insumos também impactam o orçamento. Fertilizantes mais concentrados ou especializados têm custo mais elevado, enquanto alternativas orgânicas, como húmus de minhoca, apresentam melhor custo-benefício a longo prazo. “São mais caros, mas compensam pelo resultado que entregam”, afirma Nathalia.


Custos, cuidados e mercado em expansão


A mudança de estação exige ajustes no manejo das plantas. Com a maior evaporação de água, aumenta a necessidade de irrigação, especialmente em vasos. Já o uso de adubos deve ser mais controlado. “Adubações pesadas podem causar estresse nas plantas”, alerta Nathalia Haber, que recomenda compostos orgânicos e a observação constante do solo.


Apesar dos desafios, o mercado de plantas ornamentais segue em expansão em Belém. Segundo Nathalia, houve um crescimento significativo nos últimos anos, impulsionado por mudanças de comportamento após a pandemia. “Cuidar de áreas verdes deixou de ser visto como luxo e passou a ser uma necessidade”, afirma.


Daniel Santos acrescenta que o setor já viveu um período de forte alta na demanda, com escassez e preços elevados, mas hoje apresenta maior estabilidade. Ainda assim, datas comemorativas continuam impulsionando as vendas. Entre os principais desafios, ele aponta a falta de mão de obra especializada, enquanto as oportunidades estão ligadas à oferta de serviços qualificados e ao interesse crescente por soluções sustentáveis e de bem-estar.


*Thaline Silva, estagiária de jornalismo, sob supervisão de Keila Ferreira, coordenadora do núcleo de Política e Economia