‘Bebê milagre’ que nasceu em árvore durante enchente em Moçambique morre aos 25 anos

 

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A moçambicana Rosita Salvador Mabuiango, conhecida mundialmente como o “bebê milagre” por ter nascido em uma árvore durante as históricas enchentes de 2000, morreu aos 25 anos após uma longa doença. Familiares confirmaram a morte nesta segunda-feira, e o país ficou abalado, pois ela era considerada um ícone de resistência, especialmente para meninas e mulheres. 

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Rosita ganhou fama quando ainda era recém-nascida, quando sua mãe, Carolina Cecilia Chirindza, buscou abrigo no alto de uma árvore para fugir da inundação do rio Limpopo, no sul de Moçambique. O parto aconteceu durante a enchente, e mãe e filha foram resgatadas por helicóptero, em uma cena que se tornaria uma das mais simbólicas da maior catástrofe climática já registrada no país. 

Naquele período, o transbordamento do rio resultou na morte de centenas de pessoas e deixou centenas de milhares desabrigadas. Carolina estava entre os habitantes que ficaram dias isolados, sem alimento, suplicando por ajuda. O nascimento de Rosita, que ainda estava conectada à mãe pelo cordão umbilical no momento do resgate, começou a ser considerado um autêntico milagre. 

"Acho que minha filha é diferente dos outros bebês porque nasceu em uma árvore e porque foi da vontade de Deus que ela vivesse e superasse essa situação", disse Carolina à época.  

Anos depois, Rosita cresceu na zona rural de Chibuto, no sul do país africano, onde completou o ensino médio e constituiu sua própria família. Ela deixa uma filha de cinco anos. Apesar da projeção internacional e de promessas oficiais, familiares afirmam que ela não conseguiu apoio do governo para cursar o ensino superior. 

Rosita enfrentava uma “longa doença”

Na segunda-feira, Celia Salvador, irmã de Rosita, disse que estava profundamente triste, pois a moça havia falecido "após uma longa doença". 

“Ela faleceu em decorrência de uma doença que não consigo descrever”, disse a irmã à BBC aos prantos. 

Segundo parentes, Rosita lutava havia anos contra anemia e também sofria de tuberculose. Com o agravamento do quadro de saúde, ficou internada por mais de duas semanas, até morrer na manhã de segunda-feira. O presidente de Moçambique, Daniel Chapo, lamentou a morte e destacou o significado de Rosita para o país.  

“Meu Deus. Notícia muito triste. Meus pêsames à família enlutada. Ela era um símbolo para as meninas em Moçambique. Por isso, apresento as minhas condolências a todo o povo moçambicano, em especial às meninas moçambicanas”, afirmou o presidente à BBC. 

Morte reacendeu críticas ao sistema de saúde 

A morte reacendeu críticas ao sistema de saúde moçambicano. Analistas políticos classificaram o caso como um alerta para a precariedade do atendimento, marcada pela falta de medicamentos, equipamentos e salários atrasados para profissionais da área. 

A prefeitura de Chibuto informou que negocia com a família os detalhes do funeral, que deverá ser custeado pelo município.