BC vê Selic com 'mais gordura', mas alerta para impacto de conflito no Oriente Médio
O diretor de política monetária do Banco Central, Nilton David, disse nesta quarta-feira que a economia brasileira atravessa um momento mais favorável do que há seis meses, mesmo com a taxa básica de juros no mesmo patamar. Segundo ele, a Selic tem “mais gordura” (ou seja, maior margem para lidar com choques) do que antes. No entanto, a guerra envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã pode gerar impacto relevante sobre os preços.
David esteve no 12th Brazil Investment Forum, organizado pelo Bradesco BBI em São Paulo (SP). Para ele, essa maior turbulência externa ocorre em um contexto melhor para a autoridade monetária:
— Hoje o Banco Central está em uma posição bastante melhor do que estava seis meses atrás, a despeito de estarmos com o mesmo nível de juros. Daí vem a questão da calibração. Ou seja, se estamos num momento melhor agora do que seis meses atrás com o mesmo nível de juros, significa que o nível de juros hoje tem mais gordura do que tinha seis meses atrás.
David reforçou que o Banco Central segue comprometido com o cumprimento da meta de inflação — de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos —, mesmo diante de potenciais efeitos decorrentes do choque do petróleo.
O último Boletim Focus, divulgado na segunda-feira, mostra que as expectativas passaram por um processo de desancoragem. Isso quer dizer que as projeções do mercado se afastaram da meta.
— No momento que a inflação de 2028 está subindo, significa que as expectativas não esperam que o Banco Central vá combater os efeitos de segunda ordem, o que é um equívoco [...] O Banco Central vai buscar a meta.
Efeito menor da isenção do IR
O diretor afirmou ainda que há sinais de que a economia brasileira opera acima do seu potencial, com destaque para o mercado de trabalho aquecido. Segundo ele, o país registra níveis historicamente baixos de desemprego e nível de renda elevado, mesmo com juros altos.
Ele disse, no entanto, que uma parcela do aumento de renda não tem levado necessariamente ao maior consumo, já que as famílias estão direcionando esses recursos para o pagamento de dívidas contraídas.
— Nós acreditamos também que parte disso deve mitigar o incremento de renda que se vai ter, ou estamos tendo desde janeiro, para as pessoas que ficaram com salário acima de 5 mil que não pagam mais imposto de renda.
