BC pressiona dirigentes do BRB por privatização para sanar crise de liquidez
Sem a perspectiva de apoio do governo federal para tirar o BRB da crise, o Banco Central passou a pressionar os dirigentes da instituição financeira para uma solução que pode passar pela privatização do banco local.
A informação da comentarista da CBN Malu Gaspar é de que na última sexta-feira houve uma reunião secreta entre diretores do BC e dirigentes do BRB para cobrar uma alternativa rápida à crise de liquidez da instituição. Durante o encontro, falou-se em realizar uma intervenção, mas cogitou-se também fatiar algumas áreas do banco e repassar a concorrentes, no que foi interpretado pelos executivos do BRB como uma pressão pela privatização da instituição.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, afirmou em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, que o rombo financeiro bilionário do Banco de Brasília é um problema do Governo do Distrito Federal e não do governo federal.
"O problema do BRB é um problema do GDF, eu não estou dizendo que a União em algum momento não pode entrar, mas é um problema do GDF, a gente não pode esquecer disso. O BRB fez algumas operações que estão nos jornais, que são operações que quebraram o banco. A responsabilidade é do GDF, gente, nós não podemos botar isso em questão. Se não tiver risco sistêmico, se for uma questão, um banco que está com dificuldade, existem os mecanismos para lidar com isso. E aí não tem que se falar em intervenção especial, ajuda do Tesouro, não tem que se falar nisso."
Ainda segundo o ministro, o debate sobre esse caso não pode ser empurrado como o pretendido pelo GDF, que tenta envolver o tesouro nacional numa garantia para um empréstimo na tentativa de salvar o BRB. Durigan reforçou que não pode pegar dinheiro público para cobrir um rombo que foi feito em função de um caso que é no mínimo mal-explicado.
O BRB tem até o final de maio para encontrar uma solução para a crise. O banco anunciou no mês passado um acordo com a Quadra Capital, uma gestora de fundos, para vender 15 bilhões de reais em ativos ligados ao Banco Master. Desse montante, cerca de 3 a 4 bilhões de reais devem ser pagos à vista, mas o montante ainda não é suficiente. O BRB tenta ainda um empréstimo pelo FGC, mas esbarra nas garantias exigidas. Para o economista César Bergo, ao menos uma intervenção pode ser avaliada pelo Banco Central nesse momento.
"Nesse momento, o que eu vejo é que nós estamos aproximando mais de uma intervenção do que a manutenção do BRB nas condições que nós estamos vendo hoje. A gestão atual não está sendo suficientemente competente para fazer essa gestão e me parece também que existe ainda a ingerência pública nessa gestão. Então, tudo isso feito, eu acho que não vai restar outra alternativa que possa ser a intervenção."
A situação é agravada ainda pela impossibilidade de aportes do GDF, acionista controlador, no banco, já que as contas do governo local estão no vermelho. A governadora, Celina Leão, editou um decreto para cortar as despesas em até 25% e revisar todos os contratos administrativos.
