BC faz 1ª compra de dólar futuro em 10 anos e mercado já espera mais atuações

 

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O Banco Central ampliou a intervenção no mercado de câmbio com a primeira compra de dólares no mercado futuro em dez anos, diante da forte queda da moeda. A atuação foi vista como mais um passo para a redução do estoque de swaps cambiais, derivativos usados para impedir movimentos excessivos da divisa.

Analistas acreditam que o BC deve fazer novas intervenções desse tipo, diante do bom desempenho do real, que acumula alta de cerca de 11% neste ano, a mais elevada entre as principais moedas.

Os juros apertados, a preocupação do Copom com a inflação provocada pela guerra no Irã, a consequente alocação de recursos para fora dos Estados Unidos e as recentes captações externas do Tesouro vêm ajudando a moeda. Ontem, o dólar bateu a mínima na casa de R$ 4,90 — e hoje chegou a bater R$ 4,88, fechando a 4,92 após a atuação do BC.

“É uma boa estratégia do ponto de vista do BC”, disse Olga Yangol, chefe de pesquisa econômica e estratégia para mercados emergentes do Crédit Agricole. “A intervenção absorve efetivamente o excesso de oferta de dólar.”

O BC fez um leilão do chamado swap reverso nesta quarta-feira, equivalente a uma compra de US$ 500 milhões de dólar futuro.

Atualmente, o estoque de swaps do BC é de US$ 95,75 bilhões. Desde o início do período de Nilton David na diretoria de Política Monetária do BC, o estoque caiu mais de US$ 7 bilhões, com a realização de uma série de operações conhecidas como “casadão” — com a venda dólar à vista das reservas internacionais e, ao mesmo tempo, compra de dólar futuro via swap reverso.

O BC também deixou vencer pequenas quantidades da rolagem diária de swaps tradicionais ao longo dos últimos meses. Ontem, a autoridade também deixou vencer US$ 3,7 bilhões em um outro instrumento, as linhas, que são vendas de dólar à vista com compromisso de recompra futura.

O BC “está tirando vantagem da força” do real para “desmontar posições”, disse Alejandro Cuadrado, responsável global de câmbio e estrategista-chefe para América Latina do BBVA. “Todos estão comprados no real.”

Em 2016, a autoridade monetária, então chefiada por Ilan Goldfajn, realizou uma série de atuações com a compra de dólares no mercado futuro. A estratégia foi interrompida após a primeira eleição de Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos.

Agora, analistas preveem que, como naquela época, esse tipo de intervenção pode se estender à frente. “Eu acredito que o BC vai ser mais ativo, pelo menos mais do que vinha sendo”, disse Daniel Manso, chefe de futuros da Warren Rena.

Para Daniel Balaban, corretor de NDF da XP em Nova York, a autoridade monetária fornece uma sinalização de que, com o dólar nesses níveis, pode seguir reduzindo a posição em swaps.

O volume recomprado “é pouco, mas a sinalização é importante”, disse Balaban. “Pode ser um programa de recompra, o que faria bastante sentido.”

Para Alfredo Menezes, CEO da Armor Capital, as atuações devem continuar conforme o real exibir desempenho positivo na comparação com outras moedas.

“Toda vez que o real se fortalecer mais que a média de uma cesta de emergentes, acredito que o BC vai intervir”, disse Menezes, acrescentando que a autoridade monetária provavelmente não irá fazer intervenções “violentas”, ou seja, não irá promover volumes elevados de recompra de dólar por meio de derivativos.