BC diz que inflação voltou a crescer com guerra no Oriente Médio, mas que corte de juros foi decisão 'mais adequada'

 

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O Banco Central (BC) destacou nesta terça-feira a necessidade de manter a cautela diante de um cenário de incerteza elevada com a guerra no Oriente Médio e expectativas de inflação desancoradas na ata para justificar a redução da taxa Selic de 14,75% para 14,50% ao ano.

A redução da taxa básica de juros na última semana repete o movimento realizado em março, quando foi iniciado o ciclo de "calibração" dos juros. Mesmo com a queda, a Selic permanece em níveis bastante elevados, no maior patamar desde outubro de 2006, em um esforço do Copom para alcançar a meta de 3,0% da inflação.

Na ata, o comitê destaca que os conflitos no Oriente Médio pode trazer instabilidades para o preço de commodities, com reflexos nas economias globais. Também no cenário externo, permanece uma incerteza em relação às ações econômicos dos Estados Unidos.

“A incerteza com relação ao cenário externo seguiu em níveis elevados. Além das indefinições em relação aos desdobramentos das tensões geopolíticas, colaborou para esse cenário a permanência de incertezas com relação à política econômica dos Estados Unidos”, diz o documento.

Segundo o BC, as expectativas de inflação, que seguiam em trajetória de declínio, voltaram a subir após o início dos conflitos.

“ As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes, que seguiam em trajetória de declínio, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio, permanecendo acima da meta de inflação em todos os horizontes. Desde a reunião anterior ficou evidente uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028", detalha a ata.