A presidente do Banco do Brasil (BB), Tarciana Medeiros, afirmou a jornalistas que a administração “não se pauta por ciclos políticos e eleitorais” para definir os objetivos econômicos do banco. A afirmação foi uma resposta a uma pergunta sobre a qualidade da carteira de pessoas físicas e agronegócio e se isso poderia, de alguma forma, afetar uma possível reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“A gente não se pauta por ciclos políticos e eleitorais no momento em que vamos definir quais são os objetivos econômicos para o banco e, principalmente, para a carteira do agro. Então, tudo está calcado no que a gente está percebendo de questões macro e microeconômicas e nas oportunidades que temos para esse segmento”, afirmou.
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“Acho que vale a pena reforçar mais uma vez: o Banco do Brasil é e permanecerá sendo o banco do agro. O Banco do Brasil não vai deixar na mão aqueles clientes que estão conosco e que sempre fizeram de tudo para se manter operando com o Banco do Brasil. Então, não só vamos buscar a renegociação desses que precisam, mas também manter a concessão de crédito para esses produtores que são fundamentais para o desenvolvimento do país’, acrescentou.
O vice-presidente financeiro do BB, Geovanne Tobias, também reforçou a questão sobre o custo de crédito, que chegou a 5,89% em junho, mas deve melhorar à frente. “A gente acredita que chegou num topo. Então, a tendência, olhando daqui para frente, é desse patamar para baixo. E aí vamos ver o tempo que vai levar para trazer esse risco para o patamar de 3,5%.” El Niño O vice-presidente de agronegócios do Banco do Brasil, Gilson Bittencourt, afirmou que eventuais efeitos do El Niño sobre a carteira do banco seriam mais sentidos em 2027, mas destacou que a instituição vem realizando uma séries de ações para mitigar os riscos decorrentes do efeito climático. "Estamos preocupados com o El Niño e com profissionais acompanhando diretamente essa questão, olhando o Zarc [zoneamento agrícola de risco climático]", disse Bittencourt. "Estamos preocupados, mas adotamos medidas preventivas e nosso guidance para o ano já leva em consideração as previsões com o El Niño", acrescentou a presidente do BB. Apesar da preocupação, Bittencourt explicou que, historicamente, a perda efetiva na produção agrícola brasileira é pequena com o fenômeno - embora o impacto possa ser mais forte em determinadas regiões e culturas específicas. "Em algumas culturas e regiões existe [impacto] e tende a ser grave, o que exige de nós uma ação muito cuidadosa na concessão, acompanhamento, discussão técnica. Não só no Sul, onde pode ter chuva demais, mas também em algumas regiões do Norte e Nordeste, onde pode ter chuva de menos". Segundo ele, os pagamentos de empréstimos de clientes do agro até o fim deste ano serão feitos com base em safras já produzidas, como é o caso de soja, milho, algodão, café. Ainda tem alguma coisa de cultura de inverno, mas é pouco. O que [o El Niño] poderia afetar são culturas que ainda vão ser plantadas, com pagamentos previstos para o próximo ano." Curva de inadimplência Durante a entrevista coletiva, Medeiros afirmou também que a inadimplência de pessoas físicas deve se normalizar em patamares próximos aos observados no primeiro trimestre de 2026. O indicador subiu para 8,41% no segundo trimestre de 2026, ante 6,82% em março e 5,59% em junho de 2025.
Parte do motivo da alta da inadimplência foi a política de parcelamento automático do BB para cartões de crédito. “Não há motivo para se preocupar, para a indústria ficar preocupada, não há contaminação, a gente não vai contar que percentual é esse porque é informação comercial do banco, mas não há motivo para preocupação na linha de cartão de crédito do Banco do Brasil.” Só em cartões, a inadimplência saltou de 7,12% para 14,58% do primeiro para o segundo trimestre deste ano.
O vice-presidente financeiro do BB, Geovanne Tobias, explicou que os modelos do banco já haviam capturado essa tendência de alta ainda no primeiro trimestre. “Quando a gente começou a rodar essa nova modalidade de parcelamento automático, sem o pagamento de uma de uma entrada, a gente percebeu que isso foi se retroalimentando. A partir daí, já no primeiro trimestre, percebemos e travamos [o parcelamento automático] no final de março.” Em relação às despesas com provisão para devedores duvidosos (PDD), o vice-presidente de Riscos do BB, Felipe Prince, afirmou que o banco espera uma melhora na carteira de pessoas físicas, mas a carteira de pessoas jurídicas deve permanecer no patamar atual. “A gente não vê nenhuma piora no radar para pessoas jurídicas, mas também a melhora é gradativa, enquanto a gente completa esse ciclo de trazer melhores ativos e depurar aqueles ativos que a gente vinha depurando desde o ano passado.” A expectativa da administração para este ano é que as despesas com PDD fiquem próximas ao topo da faixa das suas projeções (“guidance”), enquanto o lucro deve ficar mais próximo do piso. O “guidance” do BB de lucro líquido para 2026 é entre R$ 18 bilhões e R$ 22 bilhões. No primeiro semestre, atingiu R$ 7,3 bilhões. Já para o de custo de crédito, é entre R$ 65 bilhões e R$ 70 bilhões, e atingiu R$ 37,3 bilhões. “Isso vai dar um ROE [retorno sobre patrimônio] perto dos 10%. A partir de 2027 é uma outra história”, disse Tobias. Tarciana Medeiros, CEO do Banco do Brasil Divulgação
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