Bayern x PSG: Antes de confronto por semi, relembre final 'pandêmica' entre equipes que terminou com choro de Neymar
Antes de voltarem a se enfrentar nesta quarta-feira, às 16h (de Brasília), na Allianz Arena, pelo segundo jogo da semifinal da Champions League, Bayern de Munique e Paris Saint-Germain carregam no retrospecto recente um capítulo que marcou a história dos dois clubes: a final 'pandêmica' de 2020, disputada em Lisboa, sem público, e encerrada com vitória alemã por 1 a 0 — e com Neymar chorando no gramado após o apito final.
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O novo encontro acontece depois de um jogo de ida histórico. Na semana passada, o PSG venceu o Bayern por 5 a 4, em uma partida que entrou para os registros da competição. Foi a primeira vez, desde o início da chamada era moderna da Champions, em 1992/93, que um primeiro tempo teve cinco gols. Também foi a primeira semifinal do torneio a terminar com mais de oito gols no placar.
Dembele, do PSG, na Champions League
FRANCK FIFE / AFP
Agora, os franceses chegam à Alemanha com a vantagem do empate. O duelo recoloca frente a frente duas potências que se acostumaram a medir forças na última década. Contando o primeiro jogo da atual semifinal, campeões de França e Alemanha se enfrentaram 11 vezes nos últimos dez anos.
O ponto mais simbólico dessa rivalidade foi a decisão de 2020, em meio à pandemia da Covid-19, na chamada “Super Champions”, apelido dado ao mata-mata concentrado em Portugal com portões fechados e jogos únicos entre os oito últimos clubes restantes na competição.
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Relembre a 'Super Champions'
A pandemia virou a Champions League do avesso naquele ano. Com a interrupção das competições antes das quartas de final, a Uefa definiu que o torneio seria decidido através de jogos únicos, para otimizar o calendário, e 100% em Portugal.
Com os estádios da Luz e de Alvalade vazios, o público acompanhou de casa momentos marcantes, como a goleada do Bayern por 8 a 2 sobre o Barcelona, a eliminação do Manchester City e a campanha surpreendente da Atalanta.
Bayern de Munique celebra a goleada histórica sobre o Barcelona
MANU FERNANDEZ / AFP
Como foi aquela final?
Depois de eliminarem RB Leipzig e Lyon, PSG e Bayern chegaram à final. De um lado, Neymar e Mbappé buscavam a primeira Champions League da história do clube parisiense. Do outro, um Bayern avassalador, liderado por Manuel Neuer e embalado pela chance de conquistar o sexto título europeu.
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No Estádio da Luz, o Bayern entrou disposto a controlar o jogo e criou mais oportunidades. O PSG, por sua vez, tentou explorar as transições rápidas, mas pecou na finalização. Neymar teve chance no primeiro tempo, mas parou em grande defesa de Neuer. Mbappé e Di María também apareceram em lances de perigo, sem conseguir balançar a rede. Do lado alemão, Lewandowski, artilheiro daquela edição e candidato a melhor jogador do mundo, acertou a trave.
O gol que decidiu a final veio no segundo tempo, com um roteiro cruel para o PSG. Kingsley Coman, revelado nas categorias de base do clube francês, apareceu livre na área após cruzamento de Kimmich e cabeceou para marcar o único gol da partida. A reação parisiense obrigou Neuer a fazer novas defesas difíceis, mas a festa, ao fim, foi alemã.
Gol de Kingsley Coman, ponta francês do Bayern, contra o PSG na final da Champions League 2020
Reprodução: fcbayern.com
Com a vitória, o Bayern conquistou o sexto título de sua história na Champions League. O PSG, fundado em 1970, ficou com o vice-campeonato em sua primeira final do torneio.
Após a derrota, Neymar se pronunciou nas redes sociais e parabenizou o Bayern. Em publicação no Twitter, escreveu:
“Perder faz parte do esporte, tentamos de tudo, lutamos até o final. Obrigado pelo apoio e carinho de cada um de vocês e parabéns ao Bayern”
O choro de Neymar
A imagem de Neymar chorando no gramado virou um dos retratos mais lembrados daquela decisão. Entre os jogadores que foram consolá-lo estava Philippe Coutinho, então no Bayern. O brasileiro explicou depois que tentou passar uma mensagem de apoio ao camisa 10 do PSG.
“Fui falar com ele porque sei que é um momento delicado, fui deixar uma força para ele. Eles têm um grandíssimo time, o Neymar é um grande jogador. Falei para ele, ele já ganhou e ainda vai ganhar muita coisa”, disse Coutinho em entrevista após a partida.
Hansi Flick e David Alaba, na época treinador e jogador do Bayern de Munique, consolam Neymar
Miguel A. Lopes / AFP
Robert Lewandowski, que havia sido vice-campeão da Champions em 2012/13 pelo Borussia Dortmund, terminou a temporada 2019/20 com o título e a artilharia do torneio, com 15 gols. Ao final da temporada, o polonês venceu o prêmio de melhor jogador do mundo da FIFA, superando Cristiano Ronaldo e Lionel Messi, mas não levou a Bola de Ouro para casa, pois a premiação dada pela revista France Football foi cancelada.
Cinco anos depois daquela final em Lisboa, Bayern e PSG voltam a se encontrar em um momento decisivo da Champions. Os alemães buscam recuperar o protagonismo continental desde a última taça levantada em Portugal. Os franceses, agora embalados por uma nova fase e pela motivação de feitos recentes, tentam transformar a vantagem construída no jogo de ida em vaga na decisão.
