A Bayer elevou suas projeções de lucro para o ano, impulsionada pela forte recuperação de sua divisão farmacêutica, cuja demanda aquecida por novos medicamentos compensou as pressões de mercado enfrentadas nas unidades agrícola e de saúde do consumidor. A notícia impulsionou as ações do conglomerado alemão, que há pouco subiam 3,92% na Bolsa de Frankfurt, ampliando um rali que praticamente dobrou o valor de mercado da companhia ao longo do último ano.
A empresa informou que agora projeta um lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortiação (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado entre 9,8 bilhões e 10,3 bilhões de euros para o ano, superando o intervalo estimado anteriormente de 9,6 bilhões a 10,1 bilhões de euros. A melhoria no “guidance” é ancorada na rentabilidade da unidade farmacêutica, cuja projeção de margem Ebitda ajustada para 2026 subiu para a faixa entre 25% e 27%, ante 23% a 25% na previsão precedente.
A empresa também aprimorou suas metas de caixa e endividamento, estimando encerrar o exercício com dívida líquida entre 28 bilhões e 29 bilhões de euros, contra a meta anterior de 29 bilhões a 30 bilhões de euros, graças a uma menor queima de recursos do que a projetada inicialmente.
No balanço do terceiro trimestre, as vendas consolidadas da Bayer avançaram 4,1% na comparação anual, alcançando 10 bilhões de euros e superando o consenso de analistas compilado pela Vara Research, de 9,93 bilhões de euros. O prejuízo líquido do trimestre encolheu para 672 milhões de euros, ante perdas de 963 milhões de euros em igual intervalo do ano anterior, impactado ainda por encargos de desvalorização contábil de ativos e provisões com litígios judiciais.
Já o Ebitda ajustado consolidado cresceu 6,9%, para 1,61 bilhão de euros, superando com folga o consenso de mercado de 1,4 bilhão de euros. A divisão farmacêutica despontou como o destaque do período, registrando expansão de 6,4% nas vendas trimestrais em base orgânica, ajustada por câmbio e portfólio, enquanto o Ebitda ajustado da unidade deu um salto de 24%, totalizando 1,29 bilhão de euros.
O desempenho foi capitaneado pelo medicamento contra o câncer de próstata Nubeqa, cujas receitas dispararam 58%, e pelo Kerendia, voltado a doenças renais e cardíacas, com avanço de 65%. O forte avanço dessas terapias tem sido crucial para neutralizar a perda de patentes de medicamentos maduros, como o anticoagulante Xarelto e o oftalmológico Eylea.
“Atingimos um ponto de inflexão na trajetória de crescimento da farmacêutica e estamos começando a ver o outro lado”, declarou o diretor-presidente da Bayer, Bill Anderson. Em teleconferência com analistas, Anderson trouxe sinalizações relevantes sobre litígios, produtividade e o ambiente regulatório global.
O executivo afirmou esperar a aprovação do acordo final envolvendo os processos judiciais sobre o herbicida Roundup nos Estados Unidos antes do Natal, pontuando que a resolução “pode sair a qualquer semana”. O CEO indicou ainda que a companhia reduzirá as contratações nos próximos anos, à medida que aposta na aceleração da inteligência artificial para alavancar a produtividade e manter o plano de corte de despesas.
No campo político e científico, Anderson reforçou que a Bayer continuará trabalhando pragmaticamente com democratas e republicanos após as eleições de meio de mandato nos Estados Unidos e descartou a dependência de grandes aquisições em estágio avançado para encorpar seu pipeline farmacêutico.
Por fim, o executivo fez um alerta severo aos governos europeus, advertindo que medidas excessivas de contenção de preços de remédios no continente correm o risco de transformar a Europa em um “deserto farmacêutico”. Para os analistas do J.P.
Morgan, a revisão nas metas operacionais e o desempenho acima do esperado no terceiro trimestre consolidam uma leitura favorável para as ações, confirmando que a retomada na divisão farmacêutica oferece a tração necessária para dissipar os temores em relação ao passivo judicial e ao endividamento do grupo alemão.
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