Bateria da Vila Isabel resgata o passado com tamborins de madeira e instrumentos que caíram em desuso
A cada ano que passa, alguns sambistas e torcedores dos desfiles das escolas de samba alegam que o carnaval vai perdendo suas raízes. A Unidos de Vila Isabel vai mostrar o contrário. Na próxima terça-feira, a Azul e branca de Vila Isabel vai trazer instrumentos antigos que caíram em desuso no samba. A Swingueira de Noel, bateria comandada pelo Mestre Macaco Branco, resgata ganzás (chocalhos), agogôs de duas bocas e tamborins quadrados.
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Há oito anos à frente da bateria da agremiação, Macaco Branco credita a duas pessoas a ideia:
— A Thalita, minha assistente, disse que foi a uma exposição individual do Heitor aqui no Rio e, no ano passado, um percussionista chamado Zero, que tocava comigo na Vila Isabel antes de falecer, havia proposto a ideia de fazer uma brincadeira com os tamborins.
A Vila Isabel será a segunda escola de samba a pisar na Marquês de Sapucaí. No carnaval 2026, a agremiação levará o enredo “Macumbembê, Samborembá: sonhei que um sambista sonhou a África”, dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora, onde propõe uma celebração à ancestralidade africana e a trajetória do multiartista Heitor dos Prazeres.
O tamborim de madeira foi produzido por um luthier de Minas Gerais
Rafael Arantes/Divulgação/Vila Isabel
O mestre de bateria, que também produz o álbum das escolas da Série Ouro, contou que foi uma jornada encontrar o marceneiro certo que fizesse o instrumento fiel ao original.
— Encontramos um lutier (artesão especialista na confecção de instrumentos musicais) em Minas Gerais que queria construir com as afinações de hoje, modernas. E não quisemos, queríamos sem afinação — explica ele.
Heitor dos Prazeres e suas pinturas
Arquivo / Agência O Globo / 27-08-1964
O mestre conta que antigamente o instrumento era feito de couro e era aquecido no fogo, usando um pedaço de jornal, para uma afinação perfeita. Este ano, Macaco Branco considera usar um maçarico pequeno, daqueles usados em restaurantes, ou até a brasa do churrasco feito com a bateria antes do desfile, ainda na concentração.
— Essa novidade vai aparecer em vários momentos ao longo do desfile e não necessariamente somente diante das cabines de jurados. Serão pelo menos 35 pessoas tocando os tamborins antigos, bem telecoteco, como Heitor fazia — afirma ele. — A Vila Isabel me deu total autonomia e eu gosto de fazer estas coisas. Vai ser um brinde para o público.
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