Bastidores: Eliminação na Libertadores aumenta insatisfação do associativo com Textor e estoura nova guerra fria no Botafogo
Além de piorar a situação financeira — que já era ruim — do Botafogo, a eliminação da equipe na Pré-Libertadores esgotou a paciência da ala associativa do clube com John Textor. Há, no alto escalão do clube social, o entendimento de que o empresário americano não é mais capaz de, sozinho, administrar a SAF alvinegra.
Mais do que o fracasso esportivo pela queda na principal competição do ano antes mesmo da fase de grupos, há uma insegurança pelo aspecto financeiro. Fontes ouvidas pelo GLOBO indicam que há, internamente, o receio de que o orçamento para a temporada não seja cumprido, e que é bem possível o surgimento de um novo transfer ban. Recentemente, Betis-ESP, Junior Barranquilla-COL e Vélez Sarsfield-ARG externaram insatisfações por atrasos em pagamentos envolvendo Luiz Henrique, Jordan Barrera e Alvaro Montoro, respectivamente. Além disso, a SAF precisará pagar nos próximos dias uma parcela de aproximadamente US$ 5 milhões (R$ 25,8 milhões) pelo acordo com o Atlanta United-EUA da dívida por Thiago Almada.
Guerra fria
Como de praxe, é citada pela ala social a gratidão por John Textor por avanços como a evolução no CT Lonier, na área administrativa e nas receitas, e principalmente pelos títulos conquistados em 2024. Por outro lado, a diretoria do associativo já fala do desejo pela saída do empresário para a chegada de um novo investidor — nesse caso, Textor teria que aceitar vender suas ações, o que ele sequer cogita — ou, pelo menos, de um sócio que ajude na questão financeira.
No momento, há uma guerra fria nos bastidores. De um lado, Textor tenta emplacar a narrativa de que a ala social, na figura do presidente João Paulo Magalhães Lins, tem barrado a entrada de novos recursos para arcar com as obrigações financeiras do Botafogo. Do outro, há a crença de que o empresário americano será retirado do comando em breve por decisão da arbitragem da FGV que decidirá o rumo da disputa judicial entre as partes e a Eagle Football Holdings, representada por advogados contratados pela Ares, empresa credora e que se coloca como uma das principais oposições a Textor na rede multiclubes.
Entre os jogadores, a insatisfação é cada vez mais palpável. Bons exemplos são as declarações do capitão Alex Telles e do zagueiro Alexander Barboza após a derrota para o Barcelona-EQU, anteontem. Os dois são os principais líderes do elenco.
— Muitas vezes nós, jogadores, damos a cara. Somos nós que vamos jogar, dar nosso melhor, mas o clube não é feito só de jogadores. Coloco a mão no fogo por esse grupo. A gente não merecia isso (a eliminação precoce na Libertadores). O futebol não atura desaforo, e o nosso grupo nunca desaforou o futebol. Mas ele não é feito só de atletas, é feito de muita coisa — disse Telles.
— É difícil falar agora as coisas que estou pensando, porque acabamos de ser eliminados. São muitas emoções juntas. Provavelmente, se falar alguma coisa, vou me arrepender. Prefiro pensar um pouco e seguir. Daqui a pouco há outra partida importante, contra o Flamengo, um clássico. Não posso dizer mais — falou Alexander Barboza.
Seca de gols
Neste início de ano, o Botafogo chegou a atrasar pagamentos de direitos de imagem e depósitos do Fundo de Garantia (FGTS) dos atletas. Um dos poucos destaques da equipe na temporada, o volante Danilo chegou a analisar, junto de seu estafe, a possibilidade de buscar uma rescisão contratual de forma unilateral, o que fez o clube correr para regularizar os valores em débito.
Outro problema é que, dentro de campo, os atletas também não vivem boa fase, como mostra a seca de gols dos atacantes: considerando apenas os do elenco principal, ou seja, sem os jovens das divisões de base, Martín Anselmi tem seis jogadores disponíveis: Arthur Cabral, Artur, Joaquín Correa, Lucas Villalba, Matheus Martins e Nathan Fernandes. Junto, o sexteto soma apenas seis gols e quatro assistências em 2.840 minutos em campo. Para se ter ideia, sete dos 20 times na Série A têm pelo menos um jogador que balançou as redes seis vezes ou mais.
