Basílica do Santo Sepulcro: o que se sabe sobre local onde Jesus teria sido crucificado e sepultado em Jerusalém
Considerada um dos locais mais sagrados do cristianismo, a Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, é apontada por tradições religiosas e estudos históricos como o lugar onde Jesus teria sido crucificado, sepultado e ressuscitado. O espaço voltou ao centro das atenções após ter sido atingido por fragmentos de um míssil iraniano em março, em meio à escalada de tensão no Oriente Médio.
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Localizada no noroeste da Cidade Velha, a cerca de 700 metros do Muro das Lamentações e da Esplanada das Mesquitas, a basílica reúne, em um único complexo, capelas, passagens antigas e áreas de veneração ligadas aos momentos finais da vida de Jesus. Com cerca de 120 metros de comprimento e 70 de largura, o espaço recebe peregrinos de todo o mundo.
A cúpula do Mosteiro Deir Al-Sultan no telhado da Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém
Amit Elkayam/The New York Times
Tradição histórica sustenta identificação do local
Para especialistas, a força do local está na continuidade histórica. O historiador Ariel Horovitz, do Moriah Center, afirma que a imagem do lugar como espaço de veneração remonta aos tempos de Jesus.
— A área da atual basílica, construída no século XII, é uma candidata muito forte a ser considerada o local real onde Jesus morreu e foi sepultado, porque a história do lugar como espaço de veneração pode ser rastreada praticamente até os tempos de Jesus — explica.
Freiras cristãs se emociam durante missa em memória do Papa Francisco na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém
John Wessels / AFP
Registros fora dos textos religiosos também são citados no debate. Na obra “Antiguidades Judaicas”, escrita no ano 93, o historiador Flávio Josefo descreve Jesus como “um homem sábio”, “autor de feitos surpreendentes” e “condenado à cruz por Pôncio Pilatos”.
Local resistiu a tentativas de apagamento ao longo dos séculos
Ao longo da história, o local passou por tentativas de descaracterização. No ano 135, o imperador romano Adriano mandou construir um templo dedicado à deusa Vênus sobre a área, com o objetivo de desencorajar a veneração cristã. Vestígios dessa estrutura ainda podem ser observados dentro da basílica.
A consolidação como centro do cristianismo ocorreu no século IV, após o Edito de Milão encerrar a perseguição aos cristãos. Por volta de 326, Helena, mãe do imperador Constantino, foi a Jerusalém identificar locais sagrados. O historiador Eusébio de Cesareia relatou que, após a remoção do templo romano, foi revelado “o venerável e santíssimo monumento da ressurreição do Salvador”.
Descobertas arqueológicas recentes fortalecem a hipótese tradicional. Em 2016, durante a restauração do “Edículo”, pesquisadores encontraram materiais datados de cerca do ano 350, indicando que a área já era venerada desde os primeiros séculos do cristianismo.
Outros achados incluem a presença de rocha natural sob a estrutura, compatível com a descrição bíblica de uma tumba escavada, além de vestígios de videiras e oliveiras de período pré-cristão, sugerindo a existência de um jardim no local.
Hipóteses alternativas têm menos evidências
Apesar do reconhecimento amplo, há teorias alternativas. O chamado Jardim do Túmulo, a cerca de 600 metros dali, também é apontado por alguns grupos, especialmente protestantes, como possível local do sepultamento.
Ainda assim, segundo Horovitz, as evidências são mais limitadas.
— Como evidências, menciona-se que é uma tumba com jardim localizada fora das muralhas da cidade e a forma de ‘crânio’ de uma colina próxima, como indica o Evangelho ao falar do Gólgota (‘calvário’). Mas não há muito mais — diz.
Para o historiador, o debate sobre o ponto exato não deve se sobrepor ao significado mais amplo da cidade.
— Costumo dizer aos peregrinos que não se fixem tanto em discutir se o local exato está 500 metros para um lado ou para o outro. Isso é importante para arqueólogos e historiadores. Mas, no essencial, toda Jerusalém é uma Cidade Santa que deve ser respeitada e preservada por todos.
