Barulho nas alturas: moradores voltam a reclamar dos helicópteros no Jardim Botânico; veja vídeo

 

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Um morador do Jardim Botânico — e frequentador assíduo do parque — decidiu voltar à Justiça, acompanhado de associações de moradores, para tentar fazer valer o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre empresas de turismo aéreo e o Ministério Público Federal (MPF). O acordo, assinado em agosto de 2024, estabeleceu regras para disciplinar os voos panorâmicos de helicóptero no entorno do Cristo Redentor e reduzir a poluição sonora na região.

Morador do Jardim Botânico registra barulho de helicópteros no bairro

A iniciativa conjunta não é isolada. Moradores de bairros como Lagoa, Joá, Humaitá, Jardim Botânico, Cosme Velho e Urca reclamam há anos do barulho constante provocado pelas aeronaves que sobrevoam cartões-postais como o Cristo e o Pão de Açúcar.

Engenheiro e morador da parte alta do Jardim Botânico, ele passou a registrar em vídeo a frequência dos voos. As imagens mostram que até áreas tradicionalmente silenciosas sofrem com o ruído. “Basta um dia claro, sem nuvens, para que a movimentação em torno do Cristo seja intensa e praticamente ininterrupta. O vai e vem piora no fim da tarde — e, em feriados ou durante grandes eventos na cidade, fica inviável”, relata. “Um lugar como o Jardim Botânico pensado para contemplação da natureza perde completamente a graça.”

O TAC previa uma série de medidas para compatibilizar a atividade turística com o bem-estar dos moradores e a preservação ambiental. Entre as regras estão a definição de alturas mínima e máxima para os voos, limites de distância da costa e novas rotas de navegação. Também ficou proibida a formação de “fila indiana” de helicópteros para sobrevoar o Cristo, assim como o voo estacionário e a operação diretamente acima do monumento — considerada arriscada tanto para a estrutura quanto para a própria atividade turística.

Pelo acordo, as aeronaves ainda devem manter uma distância entre 600 e 800 metros do Corcovado. Segundo o morador, no entanto, as regras vêm sendo descumpridas com frequência — o que motiva a nova tentativa de judicialização do caso.