Barulho de trânsito é associado a níveis mais altos de colesterol (veja como ele ‘penetra no corpo’)
A poluição sonora noturna produzida por veículos transitando em rodovias ou autoestradas pode causar alterações no organismo daqueles que vivem em áreas próximas. Um novo estudo descobriu que isso pode significar níveis mais altos de colesterol no sangue e metabólitos relacionados ao acúmulo de gordura em adultos, ambos fatores de risco conhecidos para doenças cardiometabólicas, como diabetes tipo 2 e hipertensão arterial.
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Segundo a pesquisa, pessoas expostas a níveis noturnos de poluição sonora de cerca de 50 decibéis (dB) e acima apresentam maior risco. E, ainda, segundo os pesquisadores, os efeitos se tornam ainda mais pronunciados em níveis de ruído mais altos.
"Nossas descobertas sugerem que o ruído do tráfego noturno pode afetar sutilmente, mas consistentemente, a saúde metabólica", diz Yiyan He, autora principal do estudo e pesquisadora de doutorado na Universidade de Oulu, na Finlândia.
De acordo com recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS), os ruídos de trânsito não devem ultrapassar 53 decibéis (dB) para que a segurança seja garantida e não se tornem prejudiciais.
A equipe utilizou dados de mais de 200 mil adultos com 31 anos ou mais de três grandes estudos europeus: o Biobanco do Reino Unido, o Estudo de Roterdã e a Coorte de Nascimento da Finlândia do Norte de 1966.
Para compreender os níveis de ruído do tráfego rodoviário noturno que poderiam ser prejudiciais, eles foram modelados a partir de mapas nacionais de ruído. A exposição ao ruído se concentrou nos níveis noturnos, quando as pessoas têm maior probabilidade de estar em casa e vulneráveis a distúrbios do sono. Além disso, amostras de sangue foram recolhidas para que fossem analisados 155 biomarcadores.
Essa abordagem permitiu que os pesquisadores vinculassem a exposição ao ruído noturno a longo prazo com mudanças metabólicas detalhadas no sangue.
Dessa forma, os pesquisadores descobriram que a exposição ao ruído noturno do tráfego rodoviário a níveis acima de 55 decibéis (dB) estava associada a níveis mais altos de colesterol total, colesterol LDL ("ruim"), entre outros marcadores que desempenham um papel importante na saúde cardiometabólica. Os resultados foram publicados na revista científica Environmental Research.
"Este estudo fornece evidências biológicas que apoiam as ligações anteriores entre o ruído do tráfego e as doenças cardiometabólicas. Isso reforça a ideia de que o ruído ambiental não é apenas um incômodo, mas um verdadeiro problema de saúde", acrescenta o professor Sylvain Sebert, da Universidade de Oulu.
Ruído também aumenta risco para depressão e ansiedade
Uma pesquisa anterior, também liderada pela Universidade de Oulu e publicada na revista científica Environmental Research, indicou que os ruídos causados pelo trânsito estão associados ao aumento do risco de depressão e ansiedade.
A equipe estudou dados de 114.353 pessoas nascidas na Finlândia entre 1987 e 1998, residentes na região metropolitana de Helsinque em 2007. Os participantes foram acompanhados por até dez anos, dos oito aos 21 anos.
Como resultado, a população mais jovem passou a ter maior risco de desenvolver problemas de saúde mental em locais que ultrapassam o limite de segurança estabelecido pela OMS.
"Nossa análise mostrou que o risco de ansiedade é menor quando o ruído do trânsito está em torno de 45 a 50 dB na parte mais silenciosa da residência, mas aumenta significativamente após 53 a 55 dB. Acima de 53 dB, o ruído se torna um estressor psicológico significativo para os jovens, independentemente de dormirem na parte mais silenciosa ou mais barulhenta da residência", afirma Anna Pulakka, autora sênior do estudo.
