Barcas fazem travessia sem ar-condicionado, sob calor de 40 graus

 

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Passageiros que utilizam as barcas para se locomover entre Rio e Niterói reclamam de um problema em comum: embarcações sem ar-condicionado. Na semana em que Niterói ficou com o título de terceira cidade mais quente do país, com termômetros na casa dos 40°C, segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), quem depende do transporte para atravessar a Baía de Guanabara precisou encarar o calor intenso para chegar ao destino.

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Além de parte da frota ser composta por embarcações antigas, sem sistema de refrigeração e, portanto, dependentes da brisa que entra pelas janelas, algumas barcas mais modernas estão com defeito no sistema de ar-condicionado.

Embarcação Corcovado (modelo com ar-condicionado) estava parada na Estação Araribóia, em Niterói, em pelo menos duas tardes da semana passada

Filipe Bias

A equipe do GLOBO-Niterói também flagrou barcas novas estacionadas na Estação Araribóia, enquanto embarcações sem ar-condicionado realizavam a travessia dos passageiros.

— Incrivelmente, pegar a barca nova às vezes é pior do que pegar a velha porque algumas estão com o ar-condicionado só na ventilação, e, por elas serem fechadas, parece que a gente está numa sauna. É um calor insuportável — disse na última quarta-feira uma usuária que não quis se identificar.

Apenas ventiladores

Outro alvo de reclamação é a falta de climatização nas estações Araribóia, em Niterói; e Praça Quinze, no Rio. Ambos os terminais contam apenas com ventiladores para amenizar o calor de quem espera pela viagem.

— Estes ventiladores não dão vazão alguma. As pessoas precisam se amontoar para ficar na frente deles. A gente espera a barca suando e continua transpirando até chegar do outro lado — reclamou a mesma passageira.

O Consórcio Barcas Rio, que assumiu a gestão do modal em fevereiro do ano passado, com contrato no valor de R$ 1,9 bilhão válido por cinco anos, é gerido pelo governo do estado. No último dia 8, foi publicado no Diário Oficial o aumento da passagem de R$ 4,70 para R$ 5 nas linhas que ligam o Rio a Niterói, Cocotá e Paquetá.

A notícia do aumento da tarifa não foi bem recebida por alguns passageiros, entre eles Yana Santana, que questiona o acréscimo do valor sem solucionar os problemas relatados por usuários.

— Acho um absurdo (o aumento do valor). Primeiro porque as barcas não têm nem bebedouro de água. Nem as novas, muito menos as antigas. Além de uma estrutura precária, elas vivem atrasando; parece até que tem trânsito no mar agora. Em vez de tentar procurar melhorar a estrutura dos serviços, eles preferem só prejudicar o trabalhador, aumentando o valor da passagem — diz Yana.

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Ainda de acordo com ela, durante os horário de pico, todas as embarcações (novas ou antigas) ficam lotadas e, consequentemente, mais quentes.

Passageiros dizem que barcas sem ar-condicionado são utilizadas diariamente na travessia entre Niterói e a Praça Quinze, no Rio

Filipe Bias

Já Antônio Pinhel, que pega as barcas semanalmente para ir à faculdade, considera o calor “humilhante” para os passageiros.

— É fundamental que a população saiba o quanto da tarifa é de lucro para a concessionária e o quanto é reinvestido nas barcas, que são quentes e vivem lotadas nos horários de rush — critica.

Procurada, a Secretaria de Estado de Transporte e Mobilidade Urbana (Setram), por meio do Consórcio Barcas Rio, disse que todas as embarcações com ar-condicionado estão disponíveis para operação nos horários de pico e que a retirada de circulação acontece pontualmente, para realização de intervenções e manutenção necessárias. “Estamos atuando em melhorias. Uma delas é a intervenção no sistema de refrigeração, o que inclui a instalação de climatizadores e a reforma no sistema de ar-condicionado das estações”, afirma, em nota.

Com relação ao reajuste da tarifa — válido a partir de 8 de fevereiro —, o consórcio explica que o novo valor é equivalente ao cobrado nos transportes municipais do Rio, que sofreram reajuste em 4 de janeiro. “A passagem, definida em R$ 5 para as linhas Araribóia, Cocotá e Paquetá, fica abaixo dos R$ 7,70 cobrados antes da redução pelo governo do estado, em março de 2025”, finaliza.

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