Barbárie em Copacabana: em seis minutos, vítima de espancamento levou 57 pauladas, além de pisões, chutes e socos - QTU Questões do Universo

Barbárie em Copacabana: em seis minutos, vítima de espancamento levou 57 pauladas, além de pisões, chutes e socos

Fonte: Bandeira da fonte

Em seis dos nove minutos de gravação, contam-se 57 pauladas, fora pisões na cabeça, chutes e socos.
Alvo de toda essa violência, Cláudio Rafael Landeiro Moreira, de 37 anos, morreu nas primeiras horas do último dia 12.
O laudo de necropsia da vítima aponta traumatismo cranioencefálico e hemorragia interna, além de lesões no baço e no rim esquerdo.
Registros de câmeras de segurança, capturados nas ruas Barata Ribeiro e Felipe de Oliveira, indicam uma sequência de acontecimentos diferente da que o segurança David Santos Machado relatou em seu primeiro depoimento na 12ª DP (Copacabana), que investiga o caso.
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Machado se entregou ontem à noite na 53ª DP (Mesquita).
Contra ele e Jorge Luiz Ricardo Dias — que havia se apresentado mais cedo à delegacia em Copacabana — foram emitidos mandados de prisão temporária.
Como as imagens mostram, o primeiro abordou Cláudio Rafael, que havia saído de casa perto das 22h30 do dia 11, em Botafogo, para passear: ele usava a bicicleta da irmã.
Já em Copacabana, Machado suspeitou que Cláudio tivesse roubado a bicicleta e, ainda na Barata Ribeiro, na altura do número 35, encostou-a na frente de uma loja.
Logo em seguida, Jorge Luiz aparece pedalando e atravessando a rua, quando Cláudio tenta evitar que levassem o bem que era de sua irmã.
Machado, então, o repele usando um porrete de madeira.
Momento em que Cláudio Rafael, sentado num degrau, é abordado pelos agressores
Reprodução
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Veja vídeo
Com a mesma arma, o segurança aparece na sessão de espancamento filmada na Rua Felipe de Oliveira, paralela à Barata Ribeiro.
Ali, ao contrário do que disse em seu primeiro depoimento, ele protagoniza as agressões, ajudado por dois homens de bicicleta e mochilas de entregadores.
Eles alcançam a vítima primeiro, sentada na escada de um prédio, e parecem cercá-la — até a chegada de Machado, ainda munido do porrete.
Aquilo a que se assiste em seguida são cenas de brutalidade indizível e inexplicável.
Acusado injustamente de roubo, Cláudio Rafael, que tinha transtornos psicológicos, segundo a família, sofre as primeiras agressões e tenta escapar — mas é contido pelos entregadores, que o socam enquanto o seguram.
O segurança desfere mais três pauladas, erra uma e chega a deixar o porrete cair no chão, mas logo recupera a ferocidade: em uma sequência de 20 segundos, contam-se 15 golpes com o cassetete improvisado, além de dois chutes.
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A barbárie continua, com breves interrupções em que o trio de agressores filma e tira fotos da vítima no chão.
Entre quase seis dezenas de pauladas, Machado acerta uma enquanto aparentemente fala com alguém pelo celular.
A certa altura, um quarto personagem, um homem de suéter, se aproxima, dá um chute na cabeça do homem e se afasta.
Em alguns momentos, Cláudio ergue as mãos, parece implorar, e em outros tenta se levantar, mas não consegue e rola se contorcendo na calçada.
Ele foi deixado ali, agonizando por pelo menos 30 minutos até a chegada dos bombeiros.
Deu entrada no Hospital Miguel Couto à 1h, mas não resistiu.
— Ao analisar as imagens, todos aqui na delegacia ficaram estarrecidos.
São muito fortes — diz o delegado Ângelo Lages, titular da 12ª DP.
Segundo o policial, os quatro suspeitos de participarem das agressões contra Cláudio Rafael vão responder por homicídio triplamente qualificado: por motivo torpe, meio cruel e impossibilidade de defesa da vítima.
Os investigadores tentam ainda identificar os dois homens que usavam mochila de entregadores.
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Alexandre Cassiano
Infância feliz e acidente
Subir e descer correndo a escadaria da vila onde morava, em Botafogo, era uma das brincadeiras preferidas de Cláudio Rafael quando tinha sete anos.
Apaixonado pelo menino Bart, da série “Os Simpsons”, e louro como o personagem na época, acabou herdando o apelido.
Extrovertido, era presença garantida nas festas infantis da vizinhança, sempre ao lado das irmãs — Fabiana, a caçula, e Nathália, a mais velha.
A vizinha Genuína da Silva, de 52 anos, guarda fotos daquele tempo.
— Ele e a Fabiana vinham para cá e ficavam brincando com o meu filho.
O Rafael tinha talento para desenhar, era muito bom mesmo.
O que fizeram com ele foi uma covardia — conta Genuína.
— Ele não fazia mal a ninguém.
Todo mundo aqui pelas redondezas o conhecia.
Depois que caiu do telhado na adolescência, ele passou a ter transtornos psicológicos.
Ficou introvertido, parou de falar com as pessoas.
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O exercício arbitrário das próprias razões é um delito do artigo 345 do Código Penal, definido como “fazer justiça pelas próprias mãos, para satisfazer pretensão, embora legítima, salvo quando a lei o permite”.
A pena é baixa: 15 dias a um mês de detenção, ou multa, mas, caso haja violência, a sentença é somada à da agressão.
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No ano passado, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) obtidos via Lei de Acesso à Informação, foram registradas 1.609 ocorrências do crime no Estado do Rio.
A capital concentra 39% dos casos (625 registros): os bairros com mais ocorrências são Campo Grande, com 38, Barra da Tijuca (33), Recreio (31) e Guaratiba, com 22.
Copacabana teve 20 casos em 2025.