Bar, rooftop e samba: Sem ingressos, brasileiros criam 'Copa do Mundo paralela' nas cidades-sede
O clima da Copa do Mundo no Brasil tem um gostinho especial. E a torcida da maior seleção do mundo não está somente aqui.
A escolha da Copa de 2026 marca um momento único: pela primeira vez, três países foram escolhidos juntos para sediar o torneio: Estados Unidos, Canadá e México. A pouco mais de duas semanas do início da competição, brasileiros que moram nesses países devem aproveitar para curtir a competição deste ano — em busca da energia de casa e do sentimento que o futebol brasileiro traz para o torcedor.
Fan fests, rooftops e baladas temáticas
Há quase dez anos, Jessica de Lima mora em Miami, cidade que vai receber o último jogo do Brasil na primeira fase, contra a Escócia. A vontade dela é de estar no estádio, mas não vão faltar opções para curtir, do jeito brasileiro, o Mundial na cidade:
“A nossa expectativa era assistir aos jogos no próprio estádio, mas está muito difícil. Os ingressos estão bem caros. Ainda assim, isso não desanimou a gente, porque vai ter muita festividade por aqui. Como é uma cidade-sede, eles estão montando uma estrutura enorme, com expectativa de receber mais de 30 mil pessoas por dia. Além disso, também vão acontecer festas privadas — e aí entra a parte dos brasileiros. Eu já sei, por exemplo, de uma balada brasileira que vai acontecer em Hollywood. Então, não vai faltar lugar pra gente assistir aos jogos”, conta.
Na cidade, Turma do Pagode, Mumuzinho, Dilsinho e outros nomes da música brasileira vão se apresentar no GINGA MIAMI, evento que vai reunir torcida, música e futebol no Hard Rock Hotel.
A família de Jessica de Lima vai torcer pelo Brasil em Miami (EUA)
Arquivo pessoal
Outro destaque é o FIFA Fan Festival, espaço oficial da Copa com transmissão gratuita dos jogos em telões, além de atrações culturais. O festival será realizado em todas as cidades-sede do Mundial e será aberto ao público.
O DJ e empresário Rodolfo Lanatovitz mora há sete anos na Flórida e começou a produzir eventos após perceber uma carência no mercado de entretenimento voltado à comunidade brasileira nos Estados Unidos, que é estimada em mais de dois milhões de pessoas, de acordo com dados do Itamaraty.
Rodolfo Lanatovitz promeve eventos nos EUA e organiza o "Copa na Laje"
Divulgação
Durante os jogos, o empresário vai promover a “Copa na Laje”, evento realizado em um rooftop no centro de Miami com música brasileira, DJs e transmissão dos jogos. “Vamos receber pessoas do mundo inteiro em busca de entretenimento, então a responsabilidade do nosso trabalho dobra para entregar tudo o que eles esperam, sempre com excelência, que é a nossa prioridade. Também vamos receber muitos amigos que vêm só para a Copa do Mundo, além de familiares, amigos de amigos e brasileiros que já moram aqui", relata.
O samba brasileiro em Vancouver
Grupo Roda de Samba promove música brasileira no Canadá
Divulgação
Além dos Estados Unidos, no Canadá o clima de Copa do Mundo chega pelo batuque do nosso samba. Em Vancouver, um projeto criado por brasileiros começou como um encontro entre amigos nos bares da cidade e acabou crescendo entre os canadenses e a comunidade brasileira que vive por lá.
André Zaidan, de 43 anos, um dos fundadores do Grupo Roda de Samba, conta que a expectativa para a Copa já tomou conta da cidade. “As pessoas aqui já estão respirando Copa do Mundo. Todo mundo fala sobre isso. Você vai aos bares da região central de Vancouver e o assunto é sempre o mesmo: onde vão ser os encontros, se vai ter roda de samba… A nossa ideia é tocar em todos os jogos do Brasil. E a expectativa, claro, é conseguir fazer isso até a final", diz.
Para André, os brasileiros que vivem fora do país, a junção entre futebol e música aproxima ainda mais a comunidade durante o torneio, que será o maior da história.
O impacto econômico do Mundial
Para a Fifa, a expectativa é de uma arrecadação recorde de cerca de US$ 11 bilhões em receitas diretas, superando os US$ 7 bilhões registrados na última Copa de 2022, no Catar.
O impacto econômico de uma disputa entre 48 seleções em três países diferentes deve ser sentido em diversos setores, como turismo, hotelaria e aviação. É o que explica Paulo Dutra, professor de economia internacional da Universidade Mackenzie:
“Esse evento da Copa do Mundo é muito concentrado em um período curto de tempo, o que faz com que toda a capacidade hoteleira seja absorvida. Neste ano, principalmente por causa das grandes distâncias entre as sedes, a logística vai ser um fator muito relevante, especialmente nos Estados Unidos. Tanto de norte a sul quanto de leste a oeste, será necessária uma grande quantidade de voos. Por isso, as empresas aéreas têm a possibilidade de lucrar bastante", afirma.
O especialista afirma ainda que nos Estados Unidos a escolha das cidades-sede pela FIFA foi certeira: com uma grande quantidade de brasileiros concentrados nessas regiões, os torcedores do “país do futebol” devem aproveitar ao máximo a programação cultural e turística nas cidades.
