Bar na Lapa tem alvará de funcionamento cassado após aviso contra clientes de EUA e Israel

 

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A Prefeitura do Rio publicou nesta terça-feira, por meio da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop) no Diário Oficial, a cassação do alvará de funcionamento do Bar Partisan, localizado na Rua Morais e Vale, na Lapa. A medida ocorre após repercussão de uma frase em inglês exposta na porta do estabelecimento, que dizia que cidadãos dos EUA e Israel não eram bem-vindos no local.

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O caso ganhou grande repercussão nas redes sociais e levou o vereador Flávio Valle, presidente da Frente Parlamentar de Combate ao Antissemitismo, a acionar a Seop com pedido formal de apuração e cassação da licença do bar.

Segundo o parlamentar, a decisão representa uma resposta institucional diante da gravidade do episódio. "Nossa cidade não é lugar para ambientes segregadores", afirmou Flávio Valle em publicação nas redes sociais.

A solicitação encaminhada à prefeitura teve como base denúncia recebida pelo gabinete do vereador, que apontava a exibição de aviso com teor discriminatório, restringindo o acesso de cidadãos de determinadas nacionalidades. O caso já havia sido alvo de fiscalização do Procon Carioca, que multou o estabelecimento em R$ 9.520 por irregularidade.

No ofício enviado ao secretário municipal de Ordem Pública, Marcos Belchior, o vereador argumentou que a conduta feria princípios constitucionais, como a dignidade da pessoa humana e a vedação de qualquer forma de discriminação.

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O documento mencionava ainda um episódio durante fiscalização no local, quando agentes da Vigilância Sanitária teriam sido impedidos de entrar no estabelecimento, o que poderia caracterizar obstrução à atividade fiscalizatória.

Resposta do bar

Após a repercussão do caso, o Bar Partisan divulgou nota em redes sociais afirmando que “não há, nem nunca houve qualquer política de proibição de acesso” e que “nenhuma religião, povo ou grupo étnico foi, em qualquer momento, objeto de restrição, menção discriminatória ou exclusão” no local.

Nesta terça-feira, o proprietário Thiago Vieira publicou uma nova nota nas redes sociais após o anúncio da cassação, manifestando "profunda perplexidade e indignação" com a decisão da Prefeitura. "Tal medida é considerada desproporcional, carente de razoabilidade e eivada de vício de finalidade", diz o texto, que caracteriza a decisão como "política, e não técnica".

"A defesa reitera que não houve, sob qualquer prisma técnico, a prática de crime de racismo ou xenofobia. Manifestações políticas contra as ações de Estados-Nação são protegidas pela liberdade de expressão e não constituem ilícito. É imperativo que se saiba que o Bar Partisan jamais impediu a entrada de qualquer pessoa", defende Vieira, ressaltando que a placa possuía caráter "estritamente simbólico e político".