Bandeira de Canella na campanha, retirada de barricadas em Belford Roxo é citada em áudio de investigação da PF

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O ex-prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União Brasil), preso preventivamente pela Polícia Federal na quinta-feira, fez do programa Barricada Zero uma das principais bandeiras da campanha que o elegeu como segundo deputado estadual mais votado do Rio. Agora, um relatório da PF que aponta possíveis relações dele com o Comando Vermelho (CV) cita um áudio, divulgado pelo GLOBO no início do ano, em que um capitão da Polícia Militar conversa com um chefe da facção sobre a remoção dessas estruturas em áreas do município. Segundo os investigadores, o policial atuava como interlocutor dos interesses da gestão de Canella. Veja também: Quem é Márcio Canella, segundo deputado estadual mais votado do Rio, preso em operação da PF Unha e carne: Ex-prefeito Márcio Canella é preso pela PF após apreensão de fuzil em seu carro Barricadas Nas semanas que antecederam as eleições de 4 de outubro, Canella voltou a usar o programa Barricada Zero para promover sua gestão e pedir votos. Em uma publicação de 2 de outubro, dois dias antes da votação, afirmou que motoristas de aplicativo, taxistas e mototaxistas já podiam trabalhar com "tranquilidade, segurança e liberdade" porque, segundo ele, não havia mais barricadas bloqueando as ruas de Belford Roxo. Na mesma mensagem, pediu votos para si e para Rueda, eleito a deputado federal. Em outra publicação, Canella afirmou que havia criado o programa e que todas as barricadas tinham sido retiradas. O ex-prefeito também associou a iniciativa à entrada de serviços públicos nos territórios, citando esporte, saúde, educação e lazer. Em postagem no X, disse que o projeto havia começado quatro anos antes e defendeu sua ampliação para todo o estado caso fosse eleito deputado estadual. O relatório da PF, porém, apresenta uma interpretação diferente sobre a atuação de um dos agentes envolvidos nas ações de retirada das estruturas. Segundo os investigadores, o capitão Alessander Ribeiro Estrella Rosa atuava como interlocutor dos interesses da prefeitura, garantindo a realização de obras públicas em áreas conflagradas e a posterior exploração político-eleitoral e midiática dessas iniciativas pela administração municipal. O documento cita o áudio em que o policial conversa com José Severino da Silva Júnior, conhecido como Soró ou Jetta, chefe do CV no município, sobre a retirada de barricadas. Na gravação, Soró afirma ter retirado barricadas das comunidades Castelar e Rola Bosta, mas reclama da continuidade das operações policiais. O capitão Alessander responde: “Quem organiza isso tudo sou eu. Quem fica na prefeitura [de Belford Roxo], no Batalhão, sou eu”.

Prisão e investigação Canella foi preso na quinta-feira, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A investigação apura uma suposta organização criminosa que teria utilizado uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavar dinheiro. Segundo informações da PF, o esquema teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, de acordo com relatório de inteligência financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). O ex-prefeito é apontado pelos investigadores como principal articulador político do grupo, suspeito de estabelecer conexões entre o poder público, a rede de postos e grupos armados. A operação também levou à prisão do ex-chefe da Polícia Civil Marcus Amim e de quatro policiais civis. Em julho, Canella já havia sido alvo de buscas na sexta fase da operação e foi preso em flagrante após a apreensão de um fuzil em seu carro, em um episódio distinto da investigação sobre lavagem de dinheiro. Ele foi solto dias depois e passou a usar tornozeleira eletrônica por determinação de Moraes. Por meio de sua advogada, Sheila Lustoza, Canella afirmou que “confia em Deus, na Justiça e tem certeza de que tudo será esclarecido”.

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